Parlamentares pressionam BC por proteção ao BRB
Deputados do PSOL e do PT cobram transparência, responsabilização e medidas para impedir que a população do DF pague pelos prejuízos ligados ao escândalo financeiro
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Parlamentares do campo progressista se reuniram na semana passada com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para cobrar medidas de proteção ao Banco de Brasília (BRB) diante da crise provocada pelo escândalo envolvendo o Banco Master. O encontro foi solicitado pela deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e contou com a presença dos deputados distritais Fábio Felix e Max Maciel, ambos do PSOL, além da deputada federal Érika Kokay (PT-DF).
A iniciativa ocorre em meio ao aprofundamento das investigações sobre o colapso do Banco Master e seus impactos sobre instituições públicas. O BRB entrou diretamente no centro da crise após anunciar negociações para adquirir parte das operações do banco controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Embora a compra não tenha sido concretizada, o BRB sofreu forte desgaste financeiro e institucional. Relatórios do mercado e investigações apontam que o banco público do Distrito Federal acabou exposto à deterioração da imagem do Master e a operações consideradas de alto risco, gerando preocupação sobre possíveis prejuízos indiretos aos cofres públicos e aos ativos administrados pela instituição.
O caso ganhou dimensão política porque as negociações para aquisição do Banco Master foram conduzidas com forte participação do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), um dos principais defensores da expansão agressiva do BRB nos últimos anos. A aproximação entre o governo do DF e o conglomerado de Daniel Vorcaro passou a ser alvo de questionamentos após a revelação de investigações sobre gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e operações financeiras suspeitas envolvendo o Master.
Atualmente, a Polícia Federal e o Banco Central investigam aportes bilionários de recursos públicos em produtos ligados ao Banco Master, além de suspeitas de favorecimento político e irregularidades financeiras. O caso também é acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou operações de busca e apreensão em diferentes fases da investigação. No Rio de Janeiro, as apurações já atingem o ex-governador Cláudio Castro (PL), suspeito de envolvimento em operações do Rioprevidência que transferiram cerca de R$ 3 bilhões para fundos vinculados ao banco.
Durante a reunião com Galípolo, os parlamentares defenderam uma atuação imediata do Banco Central para proteger o caráter público do BRB e evitar que a população arque com os custos da crise.
“Minha leitura é de que o Governo do Distrito Federal não tem feito o suficiente. As ações têm sido muito mais protelatórias, numa tentativa de esperar o fim do processo eleitoral. O nosso espírito é cobrar do GDF medidas concretas para salvar o BRB. É preciso deixar claro que o Banco de Brasília é vítima tanto da corrupção quanto das distorções do próprio sistema financeiro”, afirmou Fábio Felix.
Max Maciel destacou o papel estratégico desempenhado pelo BRB para a população do Distrito Federal, especialmente na gestão de serviços públicos e programas sociais.
“O BRB é um banco da população do Distrito Federal, dos servidores públicos e de ativos sociais importantes, como a bilhetagem e programas sociais. Não podemos permitir que a instituição seja penalizada e sofra consequências irreversíveis”, declarou.
Já Fernanda Melchionna reforçou a necessidade de transparência e responsabilização dos envolvidos no escândalo financeiro.
“O povo não pode pagar a conta da crise, da corrupção e da má gestão. A sociedade tem o direito de saber o que aconteceu. Por isso, é fundamental a instalação da CPMI, que já reúne as assinaturas necessárias, encabeçada pela deputada Heloísa Helena e por mim, para investigar e garantir transparência total”, afirmou.
Os parlamentares também defenderam que eventuais prejuízos causados pela crise não sejam utilizados como justificativa para privatizações, enxugamento do banco público ou retirada de investimentos sociais do Distrito Federal. Para os deputados, preservar o BRB significa proteger uma instituição estratégica para servidores públicos, políticas sociais e desenvolvimento regional.