Atlas/Bloomberg: Lula amplia vantagem
Levantamento mostra presidente à frente no primeiro e no segundo turno, inclusive em cenário com Michelle Bolsonaro; distância para Flávio Bolsonaro é a maior do ano em meio à crise familiar
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua liderança na corrida presidencial de 2026 e aparece à frente em todos os cenários testados pela nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (1º). O levantamento indica que Lula venceria tanto no primeiro quanto no segundo turno contra todos os principais nomes da direita, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o governador Romeu Zema (Novo), o governador Ronaldo Caiado (PSD) e o influenciador Renan Santos (Missão).
No principal cenário de primeiro turno, Lula soma 46,3% das intenções de voto, dez pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro, que registra 36,6%. Na sequência aparecem Renan Santos (7,8%), Ronaldo Caiado (2,9%), Romeu Zema (2%), Joaquim Barbosa (1%), além de outros candidatos com menos de 1%. Brancos e nulos representam 1,1%, enquanto 0,1% dos entrevistados disseram não saber em quem votar. A pesquisa ouviu 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho, possui margem de erro de um ponto percentual e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04582/2026.
Em um segundo cenário, com menos candidaturas, Lula amplia ligeiramente sua vantagem e alcança 47,2%, enquanto Flávio Bolsonaro fica com 36,3%. Renan Santos aparece com 7,8%, seguido por Caiado (3,1%), Zema (3%) e Joaquim Barbosa (1,2%).
O levantamento também simulou uma hipótese em que Michelle Bolsonaro substitui Flávio como candidata do PL à Presidência. Mesmo nesse cenário, Lula permanece isolado na liderança, com 47,1% das intenções de voto. Michelle aparece com 19,3%, bem abaixo do desempenho obtido por Flávio nas demais simulações. Na sequência surgem Romeu Zema (8,6%), Renan Santos (8,1%), Ronaldo Caiado (8,1%) e Joaquim Barbosa (1,7%). O resultado reforça as dificuldades da direita em encontrar um nome competitivo diante da inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo turno
No eventual segundo turno, Lula também aparece em posição confortável. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente registra 48,8% das intenções de voto, ante 42,3% do senador. Trata-se da maior diferença entre os dois desde o início da série histórica da AtlasIntel/Bloomberg em 2026. Nos levantamentos anteriores, os cenários eram de empate técnico ou de vantagem bastante estreita para Lula: em abril, ambos apareciam com 48%; em março, Lula tinha 48% contra 47%; em fevereiro, os dois registravam 46%; e, em janeiro, Lula marcava 49% diante de 45% de Flávio.
A pesquisa também aponta vitória do presidente em todos os demais confrontos de segundo turno. Lula aparece com 48,7% contra 38,9% de Michelle Bolsonaro; 48,6% diante de 43,1% de Jair Bolsonaro – que permanece inelegível -; 48,2% contra 38,5% de Romeu Zema; 48% frente a 39% de Ronaldo Caiado; e 49,2% contra 28,9% de Renan Santos.
Dados podem refletir crise familiar
O levantamento foi realizado em um momento de turbulência para o bolsonarismo. Nos dias que antecederam a pesquisa, Michelle Bolsonaro protagonizou um confronto público com Flávio Bolsonaro, expondo divergências internas na família e no campo da extrema direita. Paralelamente, o senador segue enfrentando desgaste político após a divulgação de áudios e mensagens que revelaram contatos com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, atualmente investigado por suspeitas de fraudes financeiras. Flávio nega ter cometido qualquer irregularidade e afirma que sua relação com Vorcaro limitou-se à busca de financiamento privado para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Embora a pesquisa não estabeleça relação de causa e efeito para explicar a evolução das intenções de voto, o novo levantamento foi realizado após esses episódios, que ampliaram a crise na pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Em pesquisas anteriores da AtlasIntel, divulgadas depois da revelação dos áudios envolvendo Daniel Vorcaro, o senador já havia registrado recuo nas intenções de voto e aumento da rejeição, quadro que motivou contestações judiciais de sua pré-campanha contra a metodologia adotada pelo instituto.