Carta de Flávio para Trump é novo sinal da traição bolsonarista
Recente demonstração do entreguismo de Flávio Bolsonaro acontece durante crise na campanha presidencial da extrema direita
Foto: O candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro. (Geraldo Magela/Agência Senado)
A recente carta enviada por Flávio Bolsonaro para o governo de Donald Trump nesta última quinta-feira (02/07) é a mais nova demonstração da postura entreguista da extrema direita brasileira perante o governo dos Estados Unidos. Enviada ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a carta pede – entre outras coisas – o adiamento das novas tarifas impostas por Trump para depois das eleições presidenciais brasileiras.
Ou seja, a proposta de Flávio é pedir uma trégua para Trump, postergando o ataque imperialista contra a economia brasileira para o caso da reeleição de Lula. Faz isso porque sabe que sua subserviência política é percebida pelo povo e derruba sua popularidade, como ficou evidente durante o tarifaço de 2025 e que foi bastante comemorado por seu irmão Eduardo.
Se vencer, o candidato neofascista promete mudar o tom das negociações com os EUA, indicando um negociador de “boa fé” para re render perante as acusações de comércio desleal feitas por Trump contra o Brasil. Além disso, Flávio promete ao presidente norte-americano medidas como não conectar o Pix a meios de pagamento instantâneos “não-ocidentais” e desonerar operações de cartões de crédito para beneficiar grandes empresas americanas, além de ampliar as relações bilaterais com os EUA em contraposição à atual dinâmica comercial do Mercosul.
No mesmo sentido, o amigo de Daniel Vorcaro defende também que a possibilidade de ampliação da oposição de direita no Congresso nas próximas eleições permitiria cassar ministros do STF e reorientar o tribunal através de novos magistrados com posições pró-EUA, em consonância com recentes ataques do governo Trump contra sistema jurídico brasileiro.
Tal movimentação acontece num momento difícil da campanha bolsonarista. Os ataques de Trump contra empresas brasileiras e o Pix, entre outros, ampliaram a crise aberta na candidatura de Flávio com as revelações sobre o escândalo do Bolsomaster.
Mais recentemente, outra crise interna foi aberta na extrema direita sobre o tema das mulheres, com o vídeo de Michelle Bolsonaro denunciando posturas machistas de Flávio e de um grupo ao seu redor que funcionaria dos Estados Unidos, no que foi corroborada pelas declarações extremamente misóginas de Paulo Figueiredo, jornalista de extrema direita radicado nos EUA, contra o voto feminino.
As tentativas de Flávio Bolsonaro para desmentir elementos óbvios sobre suas posições não parece dar resultados nem mesmo para sua própria base política, como demonstra a recente crise com Michelle e Damares. E muito menos para a tentativa de ampliar seu possível eleitorado, como demonstra a recente pesquisa Atlas/Intel, na qual Lula amplia sua vantagem e pontua 48,8% contra 42,3% de Flávio no segundo turno.