A Palestina e o Líbano estão queimando
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A Palestina e o Líbano estão queimando

Apesar dos cessar-fogos proclamados, Israel continua seus ataques em Gaza e no Líbano, expressando a lógica de extermínio como parte de um projeto de dominação regional total

5 jul 2026, 09:29

Foto: Destruição em Beirute após ataques sionistas. (CFR/Reprodução)

Via International Viewpoint

Está muito quente em Gaza, e Israel continua a bombardear apesar do “cessar-fogo”. Desde que entrou em vigor, o exército israelense matou, em média, uma criança por dia. No Líbano, desde o cessar-fogo de 2 de abril, também já matou 4.000 pessoas. Os cessar-fogos israelenses têm essa particularidade: Israel continua a atirar, enquanto suas vítimas são obrigadas a parar.

“Todo o Líbano deveria arder”

“Por cada lágrima derramada por uma mãe israelense, mil mães libanesas deveriam chorar. Todo o Líbano deveria arder.” Essa foi a mensagem publicada por Ben Gvir, ministro da Segurança de Israel, após a morte de vários soldados de seu exército no sul do Líbano. Ao desrespeitar repetidamente o cessar-fogo, Israel tem tentado estabelecer redutos na região. Mas, como vem acontecendo há vários anos, o país tem dificuldade em mantê-las diante da resistência libanesa. Isso não se limita ao Hezbollah: envolve também outros movimentos e, de forma mais ampla, populações deslocadas, cujas famílias foram assassinadas e cujas casas foram destruídas.

Um exército não acostumado a perdas humanas

Israel não é conhecido por ser um exército que busca o combate direto: prefere contar fortemente com sua força aérea. É também por isso que não está acostumado a perder soldados.

Israel também não está acostumado à oposição dos Estados Unidos — especialmente nos últimos anos — e a cláusula do “Líbano” do cessar-fogo com o Irã, em parte, amarra suas mãos.

Na mesma mensagem, Ben Gvir insistiu: “Com todo o respeito aos americanos, Israel deve enviar uma mensagem clara ao mundo de que o sangue de nossos filhos e a segurança de nossos cidadãos não são negociáveis. Todo o Líbano deveria arder. Nosso dever supremo é proteger os cidadãos israelenses e os soldados do [exército israelense], e esse compromisso tem precedência sobre todas as outras considerações.” No entanto, ele se refere a soldados mortos em um tanque, em um território que não lhes pertence.

O mesmo ocorreu na Organização das Nações Unidas, onde o embaixador israelense ergueu um drone de plástico, apresentado como a arma dos “terroristas” contra seus soldados. Na verdade, o uso de pequenos drones — uma tática empregada com sucesso pela Ucrânia contra a infantaria russa — está colocando o exército israelense em dificuldades. Este último teve que liberar US$ 700 milhões com urgência para responder a essa nova tática de guerrilha.

“Apagar”: a palavra de ordem da dominação total

Ben Gvir novamente: “Eu digo ao primeiro-ministro, especialmente durante nossas reuniões: por cada lágrima derramada por uma mãe israelense, mil mães libanesas deveriam chorar. Chega desse jogo de pingue-pongue. No Oriente Médio, respostas moderadas e contenção não levam à vitória. Temos que enlouquecer. Limpar. Derrotar o terrorismo.”

“Apagar”, “agir sem piedade”: é difícil encontrar palavras que expressem um desejo genocida mais claro do que as desse indivíduo sinistro. Israel foi colocado na lista negra como um país que comete abuso sexual contra seus prisioneiros. No entanto, isso não impede que os Estados europeus continuem a apoiá-lo. Associações podem até organizar um festival de música israelense em Paris com total tranquilidade, com o slogan: “apoiar Israel é um ato de resistência”.

Mas há também outras questões. Segundo Netanyahu: “O que precisa ser feito é ter rotas alternativas em vez de passar pelos pontos de estrangulamento do [Estreito de] Ormuz e de Bab el-Mandeb para garantir o fluxo de petróleo… Basta ter oleodutos e gasodutos indo para o oeste através da Península Arábica até Israel, até nossos portos do Mediterrâneo, e você acaba com os pontos de estrangulamento para sempre.”

Em outras palavras, Israel quer se tornar uma ponte econômica para o Ocidente. Mas isso pressupõe a normalização de suas relações na região e, acima de tudo, a imposição absoluta de seu domínio. Não se constrói um oleoduto em uma zona de guerra permanente. Para permitir isso, precisamos primeiro “apagar”.


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