Manifesto das juventudes LGBTI+ da região metropolitana de Belém por justiça climática
Declaramos as juventudes LGBTI+ da Região Metropolitana de Belém como sujeitos políticos centrais na defesa da vida, da floresta, das águas, da cidade e dos nossos territórios de afeto
Foto: Encontro de Jovens Lideranças LGBTI+ de Belém. (Reprodução)
Nossos corpos, vozes e saberes fazem parte da Amazônia urbana, ribeirinha, insular, quilombola e periférica. Sentimos a crise climática em alagamentos, calor extremo, falta de saneamento, precariedade do transporte e violência. Reivindicamos o direito de existir com dignidade, segurança e participação nas decisões sobre a cidade, a floresta e as águas. Vivemos uma expulsão familiar, ausência de moradia digna, falta de casas de acolhimento, violência policial, atendimento desrespeitoso na saúde, evasão escolar e barreiras no acesso ao trabalho.
A crise climática agrava essas violências e atinge com mais força juventudes LGBTI+, negras, indígenas, quilombolas, periféricas e pessoas com deficiência. Não aceitamos políticas que tratam nossas vidas como custo descartável do desenvolvimento ou da “sustentabilidade”. Defendemos que justiça climática exige justiça social e participação direta. Exigimos presença efetiva de jovens LGBTI+ em conselhos, comitês, planos e fundos ambientais, com voz deliberativa, acesso à informação, orçamento e apoio para participação. Rejeitamos o uso da COP 30 e de projetos climáticos para fins de imagem enquanto obras removem pessoas, aumentam o calor urbano, restringem o uso popular dos espaços e silenciam territórios dissidentes.
Nossos lugares afetivos são parte central dessa agenda. Terreiros, praças, margens de rios, ocupações culturais, ilhas e espaços comunitários e de lazer que acolhem juventudes LGBTI+, produzem cuidado, segurança, memória, cultura e organização política. Exigimos que políticas urbanas e climáticas reconheçam esses lugares como territórios de direitos, protegidos contra remoções, higienização social e projetos que apagam modos de vida e de resistência.
Reivindicamos moradia digna, casas de acolhimento seguras, acesso à água potável, saneamento, arborização e mobilidade adequada em bairros periféricos, comunidades tradicionais e ilhas. Queremos saúde integral com ênfase em saúde mental e cuidado trans específico, protocolos de emergência climática inclusivos, educação sem LGBTIfobia e racismo, permanência estudantil e empregabilidade digna, com ações específicas para travestis, pessoas trans, negras e periféricas. Por todo exposto, exigimos, em aliança com inúmeros coletivos e lideranças, a criação da Secretaria Estadual de Juventudes do Estado do Pará!
Nossa experiência é um conhecimento legítimo e necessário para enfrentar a crise climática na Amazônia. Nenhum futuro será justo com remoções forçadas, destruição de lugares afetivos e silenciamento de corpos dissidentes. Declaramos, assim, as juventudes LGBTI+ da Região Metropolitana de Belém como sujeitos políticos centrais na defesa da vida, da floresta, das águas, da cidade e dos nossos territórios de afeto.