Educação Popular em Luta! Derrotar Tarcísio e a extrema direita
Manifesto contra as políticas privatistas do governo de São Paulo.
Foto: Formação política da Rede Emancipa de Educação Popular em São Paulo. (Rede Emancipa/Reprodução)
A conjuntura internacional de crise sistêmica do capital e o avanço global da extrema-direita encontram no Brasil um reflexo da disputa pelo futuro da classe trabalhadora. No estado de São Paulo, o projeto neoliberal e autoritário encarnado por Tarcísio de Freitas não é um fato isolado, mas a expressão local de um movimento reacionário que busca mercantilizar a vida, precarizar o trabalho e rifar o patrimônio público. Diante do sufocamento dos serviços públicos e da ofensiva contra os direitos fundamentais, as eleições de 2026 colocam-se não apenas como um pleito institucional, mas como um momento central na disputa de consciência e de reorganização das forças populares.
O governo Tarcísio transformou São Paulo em um laboratório do ultraliberalismo e da repressão estatal. O desmonte da educação pública — evidenciado pelas tentativas de privatização da gestão escolar, pelo avanço das escolas cívico-militares, pelos cortes bilionários no orçamento da educação e pelo estrangulamento das universidades estaduais (USP, Unicamp e Unesp) — representa um ataque direto ao futuro da juventude trabalhadora. Em um estado onde as operações policiais deixam um rastro de sangue nas favelas e onde os direitos das mulheres e da população LGBTQIA+ são sistematicamente esvaziados pelo conservadorismo, a educação popular surge como espaço de acolhimento e de letramento político.
Frente ao desastre social da gestão estadual, temos o papel de denunciar que a entrega de serviços cruciais, como a Sabesp, as linhas da CPTM e os equipamentos de saúde e cultura, à iniciativa privada nada mais é do que a transferência de renda pública para os lucros de grandes conglomerados empresariais.
Neste período, temos a tarefa fundamental de politizar o debate eleitoral a partir da base, mostrando aos estudantes e às suas famílias que os ataques ao transporte, o incentivo à letalidade policial nas periferias e a defesa intransigente de jornadas exaustivas, como a escala 6×1, fazem parte do mesmo projeto de dominação da extrema-direita. Devemos utilizar esse momento de efervescência política para dialogar com os nossos jovens que prestam o Enem e os vestibulares, disputando suas consciências contra a ideologia do empreendedorismo individualista e do desespero. Trata-se de mostrar que o acesso à universidade pública e o direito a uma vida digna são conquistas que dependem da organização coletiva e da ocupação ativa das ruas.
A articulação entre as lutas locais e a solidariedade internacional é essencial para fortalecer o enfrentamento à extrema-direita. Assim como a juventude global se levanta contra o genocídio do povo palestino e contra a barbárie imposta pelo imperialismo e pelo sionismo, a juventude paulista é chamada a erguer a voz contra o fascismo que se consolida em seu próprio território. Conectar a resistência contra o ecocídio, as privatizações e a austeridade local com as lutas anticapitalistas ao redor do mundo é fundamental para armar a classe trabalhadora com um programa de emancipação integral.
A disputa de 2026 no estado de São Paulo exige, portanto, a construção de uma alternativa abertamente anticapitalista que não se restrinja às urnas.
A nossa força será a capacidade de transformar nossas salas de aula em polos de resistência antirracista e anticapitalista, organizando a juventude negra e periférica para disputar o rumo das eleições, garantir que as demandas históricas dos setores mais explorados não sejam rifadas nos acordos de bastidores do Congresso ou da Assembleia Legislativa, e construir um processo de mobilização permanente que conecte as dores cotidianas do povo trabalhador — a fome, o desemprego, a violência policial e o transporte caro — à necessidade urgente de uma transformação radical da sociedade.
Assim, ter como bandeira o mote “Educação Popular em Luta” é se posicionar como uma ferramenta viva de organização, provando que é pela via da mobilização social, da formação crítica e da solidariedade de classe que se constrói a derrota definitiva da extrema-direita e a abertura de caminhos para uma sociedade sem explorados nem opressores.
EDUCAÇÃO CONTRA O NEOLIBERALISMO
A educação pública no Estado de São Paulo enfrenta um intenso sucateamento impulsionado por políticas governamentais que priorizam a gestão empresarial, a plataformização e a militarização escolar em detrimento da qualidade pedagógica e do pensamento crítico. Esse cenário é agravado pela desvalorização dos profissionais da categoria — submetidos ao arrocho salarial, à falta de concursos e à sobrecarga de trabalho —, além de vestibulares elitistas e da marginalização da diversidade, o que exige uma ruptura imediata com essas diretrizes para a construção de uma escola inclusiva, democrática e de qualidade.
Para reverter essa realidade, é urgente implementar um conjunto de pautas que assegurem a valorização profissional e a aplicação integral dos recursos públicos na educação. Isso envolve o fim da plataformização e da militarização nas escolas, a revogação do Novo Ensino Médio, a democratização do acesso às universidades com o fim dos vestibulares elitistas, além da garantia do piso nacional do magistério, da abertura de novos concursos e do cumprimento dos 25% do orçamento estadual para o ensino, aliado ao fortalecimento de diretrizes antirracistas, antimachistas e antilgbtfóbicas.
DIREITO À CIDADE
O direito à cidade, cujo alcance pleno exige superar as lógicas do capital, enfrenta retrocessos marcantes no estado de São Paulo, onde o direito de ir e vir e a moradia digna são diretamente impactados. A privatização da mobilidade se reflete no aumento constante dos pedágios e no avanço do sistema free flow, cobrando deslocamentos dentro dos próprios perímetros urbanos e enriquecendo grandes concessionárias. Ao mesmo tempo, enquanto o estado contabiliza um déficit habitacional superior a um milhão de residências, há mais de dois milhões de imóveis vazios, evidenciando como a especulação imobiliária prioriza o lucro em detrimento da função social da propriedade.
Para enfrentar essa realidade e garantir a função social da cidade, é indispensável estruturar políticas públicas voltadas à mobilidade e ao planejamento urbano inclusivo. Isso demanda a universalização do transporte público com passe livre e integração plena entre ônibus, trem e metrô, aliada ao fortalecimento da democracia participativa por meio de conselhos municipais e associações de bairro. No âmbito habitacional e social, é urgente combater a especulação por meio da ampliação de programas de habitação popular e das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), garantindo saneamento básico nas periferias, moradia digna com infraestrutura e a expansão de equipamentos comunitários, como escolas, unidades básicas de saúde, centros culturais e esportivos.
POR UMA OUTRA SEGURANÇA PÚBLICA
A gestão de Tarcísio de Freitas fomenta uma força policial violenta e inconsequente, convertendo o aparato de Estado em um perigo real para toda a população, sobretudo para a juventude negra e periférica. Essa lógica de extermínio — blindada nas mídias e gratificada por bônus por resultado pagos antecipadamente — perpassa todo o estado e se manifesta em episódios de extrema violência: a invasão policial a escolas por motivos religiosos, agressões a trabalhadores e jovens rendidos, a violência contra mães e os disparos fatais à queima-roupa. Paralelamente, a violência de gênero atinge níveis alarmantes enquanto ocorre o esvaziamento orçamentário da Secretaria de Políticas para a Mulher, o abandono de delegacias especializadas e o desmantelamento das redes de atendimento psicossocial, quadro que se agrava com o desestimulo ao uso de câmeras corporais e com a expansão de um reconhecimento facial pautado por vigilância algorítmica e racista.
Diante desse cenário, exige-se a desmilitarização das polícias, o uso obrigatório de câmeras nas fardas dos PMs e a revogação da Lei nº 13.022/2014, além do combate à redução da maioridade penal, do fim da guerra às drogas, da descriminalização, do desencarceramento da juventude negra e do fim do perfilamento racial no reconhecimento facial. Somam-se a isso as pautas pela aplicação plena da Lei nº 10.639/2003 nas escolas para o ensino livre da história e cultura afro-brasileira e africana sob a defesa do Estado laico, a reconstrução urgente das Delegacias da Mulher com funcionamento ininterrupto de 24 horas e atendimento capacitado, e a consolidação de um Ministério Público independente, capilarizado e atuante nos territórios periféricos e vulneráveis.
SERVIÇOS PÚBLICOS UNIVERSAIS, GRATUITOS E ESTATIZADOS!
A luta pela garantia de serviços públicos universais, gratuitos e sob controle estatizado no estado de São Paulo contrapõe o modelo de concessões e privatizações ao direito a uma vida digna para a classe trabalhadora. A entrega de patrimônios essenciais, como a Sabesp, as linhas da CPTM, trechos do Metrô e a Fundação para o Remédio Popular (FURP), somada às parcerias no setor elétrico, representa a transferência de recursos coletivos para a lógica do lucro privado, resultando frequentemente no sucateamento, no aumento das tarifas e na degradação das condições de trabalho. Defender a reestatização e a revogação integral desses contratos é uma medida central para reaver a soberania popular sobre a água, o transporte e a energia, garantindo que bens fundamentais não sejam tratados como mercadorias.
SAÚDE É DIREITO!
A saúde é a expressão direta das condições concretas de vida e de trabalho do povo, ultrapassando a simples ausência de doenças. Aprofundada por crises sociais, econômicas e políticas, a deterioração da qualidade de vida — impulsionada pelo desemprego, precarização, degradação ambiental, especulação imobiliária e escassez de saneamento — tem gerado mais adoecimento e sofrimento à classe trabalhadora. Defender a saúde exige proteger o Sistema Único de Saúde (SUS) como conquista democrática universal, pública e integral, combatendo qualquer privatização ou mercantilização, e garantindo que o direito a uma vida digna que comece antes do atendimento médico, especialmente para populações negras, indígenas, mulheres, LGBTQIA+ e a periferia.
Para consolidar essa transformação, é fundamental garantir o financiamento adequado do SUS com o fim do teto de gastos e a valorização profissional via concursos públicos. As diretrizes centrais incluem o fortalecimento da Atenção Básica, a desmedicalização do cuidado (com investimento em CAPSs e NASFs) e a soberania nacional na produção científica e de insumos farmacêuticos. Além disso, propõe-se a expansão da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e de equipamentos de reintegração social, a abordagem do uso prejudicial de substâncias sob a ótica da saúde pública articulada à habitação e renda, e a inserção de psicólogos dedicação exclusiva na rede escolar integrada ao território de proteção.
São Paulo é Solo Preto e Indigena! Fortalecer e defender a nossa cultura!
Nós sabemos o quanto os povos tradicionais sofrem até hoje com as mazelas da escravização no Brasil, evidenciadas pelos símbolos de escravocratas espalhados por todo o país e, especialmente, pelo estado de São Paulo. Diante dessa realidade, a Rede Emancipa defende o fim dessas homenagens e a valorização da cultura negra e indígena, lutando para que as escolas se tornem espaços centrais dessa preservação histórica e para que os povos e comunidades de matrizes africanas tenham seus ritos e crenças respeitados, sem discriminação, conforme garante o Estado laico e a Constituição Federal.
Para materializar essa transformação, pautamos o apoio irrestrito às lutas dos povos tradicionais, quilombolas e ribeirinhos por meio da estadualização do Programa SP Solo Preto e Indígena, bem como pelo reconhecimento, valorização e fomento de expressões culturais como o funk, os slams, a capoeira, o samba, o jongo e o hip-hop. Essa pauta exige também o reconhecimento dos tambores, atabaques e instrumentos sagrados como patrimônio cultural do Brasil e de São Paulo, além da criação de um Protocolo Estadual de Defesa dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matrizes Africanas focado no enfrentamento ao racismo religioso, à violência institucional e na garantia da proteção integral dos terreiros, ritos, territórios e lideranças.
ENFRENTAR A CRISE CLIMÁTICA
A gestão ambiental do Estado de São Paulo reflete a prevalência da lógica privatista e mercantil sobre a preservação dos ecossistemas e a qualidade de vida da população. Ao priorizar os interesses do agronegócio e das grandes concessionárias urbanas, o governo estadual perpetua a destruição contínua da Mata Atlântica e do Cerrado, a especulação imobiliária e o desmonte das políticas públicas de saneamento e planejamento urbano. Essa orientação política atua na contramão das emergências climáticas ao deixar as periferias e as populações mais empobrecidas expostas a secas severas, enchentes e deslizamentos recorrentes, revelando a ausência de compromisso do Executivo paulista com a justiça socioambiental.
É imprescindível implementar medidas estruturantes que priorizem o interesse público e a sustentabilidade no estado. Esse conjunto de ações abrange programas de reestatização da Sabesp e a execução de obras públicas de infraestrutura para combate a enchentes e prevenção de deslizamentos em áreas vulneráveis, além da garantia de flexibilização orçamentária — isentando os investimentos na transição ecológica e nos órgãos ambientais do teto de gastos. Complementarmente, o fortalecimento dos órgãos de fiscalização e licenciamento ambiental para deter o desmatamento, o fomento à Reforma Agrária Popular e à agroecologia contra o avanço das monoculturas, e a garantia da demarcação e proteção integral das terras indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais, assegurando-lhes o direito à Consulta Livre, Prévia e Informada.
EM DEFESA DO TRABALHADOR! DIREITOS E DESCANSO JÁ!
A posição política do governador Tarcísio de Freitas alinha-se historicamente ao liberalismo econômico e às demandas patronais, gerando um cenário de oposição a importantes pautas de direitos trabalhistas. Essa postura reflete diretamente no debate sobre o fim da escala 6×1, no qual o governador argumenta que a redução da jornada sem cortes salariais pode onerar empregadores e prejudicar a economia, em detrimento da discussão sobre o descanso e a saúde do trabalhador. Da mesma forma, no que tange às plataformas digitais de aplicativos no estado de São Paulo, sua gestão mantém uma orientação contrária ao fortalecimento da fiscalização ou à criação de vínculos que oneram as empresas, favorecendo a flexibilização trabalhista e deixando entregadores e motoristas expostos à precarização e à ausência de garantias fundamentais.