Iêmen: em derrota para Trump, houthis avançam no Mar Vermelho
Combatentes retomaram a cidade portuária de Moca e a estratégica ilha de Zuqar
Foto: Houthis iemenitas. (Tasnimnews/Reprodução)
A tomada de posições-chave reforça o controle popular no estreito de Bab al-Mandeb.
As Forças Armadas do Iêmen, lideradas pelo movimento Ansarallah, conseguiram recuperar a histórica cidade portuária de Moca e a estratégica ilha de Zuqar, no sul do Mar Vermelho. Essa vitória militar relâmpago representa um duro revés para as facções apoiadas pela coalizão liderada pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos na região.
O avanço dos combatentes permitiu assegurar o domínio da província de Al Hudeida, para posteriormente realizar operações na faixa costeira de Taiz. Diante da contundência das ações ofensivas, as tropas aliadas ao governo apoiado por Riad iniciaram um recuo completo de suas divisões militares para áreas do sul.
A recuperação do porto de Moca concede ao povo iemenita uma vantagem geopolítica fundamental sobre a passagem marítima de Bab al-Mandeb. Esse ponto conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é vital para o comércio internacional de mercadorias e hidrocarbonetos diante das agressões das potências ocidentais.
Paralelamente, um contingente das Forças Armadas conseguiu desembarcar na ilha de Zuqar após realizar ataques com mísseis contra instalações militares de empresas contratadas. A ocupação desse arquipélago fortalece a vigilância territorial e impede as operações de bloqueio impostas pela aliança estrangeira.
Diante da desintegração das frentes apoiadas por Riad, o presidente do governo sediado em Sanaã, Mahdi al-Mashat, emitiu um decreto de anistia geral. A medida busca garantir a integridade de todos os combatentes adversários que decidam depor as armas e retornar às suas comunidades de origem.
Como resposta à vitória do movimento popular, a aviação saudita intensificou os bombardeios contra áreas civis e infraestruturas nas províncias de Taiz, Al Hudeida e Al Jauf. Um mortífero ataque aéreo contra o Centro Penitenciário Central em Al Jauf deixou um saldo provisório de mais de 30 pessoas mortas.
Porta-vozes do alto comando militar iemenita denunciaram a brutalidade das incursões inimigas realizadas com caças F-15 e Typhoon provenientes de bases sauditas. O porta-voz Yahya Sarea advertiu que a escalada agressora da coalizão não ficará impune e reafirmou a determinação de defender a soberania do país.
A retomada dos combates se aprofundou após o persistente bloqueio aéreo e ilegal imposto pelo reino saudita contra o Aeroporto Internacional de Sanaã. Os ataques de retaliação iemenitas atingiram, nos últimos dias, alvos militares e estratégicos dentro do território do reino vizinho.
Organizações humanitárias internacionais manifestaram sua preocupação com o deslocamento de milhares de famílias que fogem do recrudescimento da agressão militar na costa ocidental. A população local exige o fim imediato da ingerência estrangeira para permitir a reconstrução do tecido social.
O controle de Moca e Zuqar por parte do Ansarallah marca um marco na resistência iemenita contra o domínio imperialista nas rotas marítimas regionais. As autoridades de Sanaã reiteraram seu compromisso de expulsar totalmente as forças de ocupação e consolidar a autodeterminação nacional.