São Paulo: virar votos no Alto Tietê, berço de Valdemar da Costa Neto
Entre a força do conservadorismo e a organização popular, a região tem o desafio de ampliar a votação de Lula e transformar a mobilização nas ruas em força política no segundo turno
Foto: Ato pelo vira voto em Suzano/SP. (Heloysa Helena/Reprodução)
O Alto Tietê tem uma tarefa política fundamental neste segundo turno: organizar a militância, ampliar o diálogo com a população e mobilizar cada voto para derrotar eleitoralmente o bolsonarismo. Não se trata de uma tarefa simples. Estamos falando de uma região que carrega contradições profundas, marcada pela desigualdade social, pela precarização dos serviços públicos e pela força de setores conservadores. É também o berço político de Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, uma das principais engrenagens partidárias do bolsonarismo.
É justamente por isso que nossa presença na região importa. Não podemos tratar o Alto Tietê como território perdido para a extrema direita, muito menos aceitar que o conservadorismo seja a única voz capaz de dialogar com os trabalhadores, com a juventude e com os setores populares. Existe uma disputa política real sobre os rumos do país, e ela precisa ser enfrentada com organização, presença nos bairros e enraizamento nos movimentos sociais.
No primeiro turno, Lula arrancou a vitória em Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba, resultados que precisamos buscar ampliar neste segundo turno. Já em Poá, Suzano, Mogi das Cruzes, Salesópolis, Biritiba Mirim, Arujá, Guararema e Santa Isabel, precisamos reverter o resultado e disputar cada voto. Essa tarefa exige organização, presença nas ruas e diálogo com a população. A disputa não se resolve apenas nas redes sociais, nem com debates intermináveis entre quem já tem posição definida. Nossa tarefa é conversar com quem está indeciso, com quem deixou de votar, com quem está insatisfeito e com quem ainda não percebeu o que está em jogo neste segundo turno.
Precisamos transformar a indignação em ação concreta: reuniões de mobilização, banquinhas nas praças, panfletagens, visitas aos bairros, diálogo nas portas das casas e organização coletiva. É preciso ouvir as preocupações reais da população e apresentar, com argumentos e propostas, os projetos em disputa para o Brasil. A militância não pode substituir o diálogo por palavras de ordem; precisa estar preparada para construir confiança e disputar consciências.
Suzano deu um recado importante: a população foi às ruas e reuniu quase 300 pessoas de forma espontânea, com perspectiva de ampliar essa mobilização (foto). Em Poá, a mobilização está marcada para este sábado, enquanto Mogi das Cruzes já tem ato organizado, assim como outras cidades da região. Esse é o espírito: ocupar as ruas, fortalecer a organização popular e transformar a disposição de luta em uma mobilização cada vez mais ampla.
O PSOL e os movimentos populares do Alto Tietê têm experiência de organização e luta. Essa força precisa ser colocada a serviço de uma campanha para vencermos este segundo turno. Precisamos ultrapassar os limites da militância já convencida e chegar a quem ainda não tomou sua decisão. O desafio é construir uma mobilização ampla, democrática e enraizada no cotidiano dos trabalhadores.
Enfrentar o bolsonarismo em seu próprio terreno político exige persistência, unidade de ação e disposição para disputar cada voto. O Alto Tietê não pode ser reduzido ao poder das máquinas partidárias ou aos interesses das elites políticas. É território de trabalhadores, estudantes, educadores, mulheres, população negra, juventude LGBTQIAPN+ e de tantos outros setores que precisam ter voz e protagonismo na construção de outro projeto de país.
Neste segundo turno, nossa responsabilidade é colocar a política nas ruas e fazer da organização popular uma ferramenta de transformação. É hora de reunir forças, conversar com a população e disputar o futuro. No berço de Valdemar da Costa Neto, a resposta precisa vir da mobilização popular, da consciência de classe e da força coletiva de quem luta por um Brasil mais justo. Vamos à luta, companheiros!