Reclamamos a liberdade de Julian Assange

O objetivo da perseguição de Trump contra Assange é manter em segredo as atividades do complexo industrial-militar e conseguir a impunidade dos crimes cometidos pelos Estados Unidos no mundo.

Adolfo Pérez Esquivel 25 set 2020, 18:45

Os governos dos Estados Unidos e Grã-Bretanha levam a cabo uma perseguição há anos contra Julian Assange. Hoje se tramita um juízo para que se autorize sua extradição aos Estados Unidos, país que é um dos maiores violadores dos Direitos Humanos e dos Povos no mundo.

Julian Assange publicou na plataforma Wikileaks informação sobre os crimes de guerra, corrupção e espionagem global do governo dos Estados Unidos contra os povos, e por tal motivo é perseguido. Washington busca ocultar ou silenciar toda exposição de suas políticas de terror impostas a outros países.

O ex-presidente Rafael Correa lhe concedeu asilo diplomático e a Embaixada do Equador em Londres o alojou desde 2012 até abril de 2019, quando Lenín Moreno autorizou as autoridades britânicas a ingressar em sua embaixada e, assim, o prenderem. Desde então permanece em confinamento solitário na prisão de alta segurança de Belmarsh. Em 7 de setembro começou seu julgamento de extradição. Se este chegasse a prosperar seria julgado no Distrito Leste da Virgínia, conhecido como o Tribunal de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Até agora nenhum acusado de atentar contra a segurança nacional ganhou um caso nesse tribunal.

O Relator contra a Tortura das Nações Unidas, Nils Meltzer, considera que a detenção de Julian Assange é injusta e arbitrária, o mesmo que seu processo. Além disso, na cárcere inglesa foi submetido a torturas e a um trato desumano, e deve ser liberado e ressarcido de imediato.

Por tudo isso, numerosos organismos de Direitos Humanos, centenas de juristas, mandatários e jornalistas de todo o mundo reclamam a liberdade de Julian Assange.

Fazemos um chamado aos meios de informação para que exijam sua liberdade: encontra-se em situação de risco e sua saúde está em perigo. É urgente proteger sua integridade psicofísica e ser conscientes de que se ele é extraditado aos Estados Unidos lhe aplicariam uma pena de 175 anos de prisão, a qual equivaleria a uma sentença de morte.

Assange não é cidadão dos Estados Unidos e a plataforma Wikileaks é global. Caso ocorra a extradição, seu caso serviria de antecedente para que qualquer jornalista investigativo possa ser julgado nos Estados Unidos por revelar crimes perpetrados por ordem de Washington em outros países. O que está sendo julgado é a liberdade de expressão e o direito a informar e ser informado com a verdade.

O objetivo da perseguição do governo de Trump contra Julian Assange é manter em segredo as atividades do complexo industrial-militar e conseguir a impunidade dos crimes cometidos pelos Estados Unidos no mundo.

Buenos Aires, 8 de Setembro de 2020

Artigo originalmente publicado em Rebelion.org. Artigo originalmente publicado no Observatório Internacional da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco.


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