EUA ampliam ofensiva militar e elevam ameaça contra a Venezuela
USS Gerald Ford

EUA ampliam ofensiva militar e elevam ameaça contra a Venezuela

Sob pretexto do “combate ao narcotráfico”, governo Trump amplia ofensiva naval no Caribe e no Pacífico, enquanto Caracas denuncia escalada imperialista e violação da soberania

Foto: Alyssa Joy/Marinha dos EUA

As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram, na segunda-feira (29), um novo ataque letal contra uma embarcação em águas internacionais do oceano Pacífico, que teria resultado na morte de dois homens. Segundo o Comando Sul dos EUA (Southcom), a operação foi conduzida pela força-tarefa conjunta Lança do Sul contra um barco supostamente operado por “organizações terroristas” ligadas ao tráfico de drogas. 

“A força-tarefa conjunta Lança do Sul realizou um ataque letal a uma embarcação operada por organizações terroristas em águas internacionais”, afirmou o Southcom em publicação nas redes sociais, acrescentando que nenhum militar norte-americano ficou ferido.

O ataque ocorreu no mesmo dia em que o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos haviam atingido um alvo em uma área portuária da Venezuela, onde, segundo ele, drogas estariam sendo carregadas para exportação. Caso confirmada, a ação representaria o primeiro ataque direto dos EUA em território venezuelano desde o início da nova escalada de tensões, em agosto, marcada por uma ofensiva militar norte-americana em águas latino-americanas e caribenhas. A coincidência temporal reforça a leitura de que Washington vem ampliando deliberadamente o nível de confronto na região.

Desde o início de setembro, sob orientação do secretário de Defesa, Pete Hegseth, os Estados Unidos intensificaram operações navais no Caribe e no Pacífico Oriental, alegando combater o narcotráfico internacional. De acordo com dados divulgados pelo próprio Pentágono, ao menos 28 embarcações foram destruídas nessas ações, com mais de uma centena de mortos. 

O governo norte-americano sustenta que a região é uma das principais rotas do tráfico de cocaína — argumento frequentemente reiterado por relatórios do Comando Sul e por documentos da Casa Branca, que citam dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) sobre o uso do Caribe como corredor marítimo do narcotráfico. Ainda assim, observadores e governos da região questionam a legalidade e a proporcionalidade das operações, realizadas sem mandato internacional e com uso sistemático de força letal.

A ofensiva militar vem acompanhada de uma ampla mobilização bélica no Caribe, incluindo o deslocamento do maior porta-aviões do mundo e de diversos navios de guerra, o que amplia o clima de intimidação regional. Paralelamente, Washington endureceu o cerco econômico contra Caracas: desde o início do mês, duas embarcações com petróleo venezuelano foram apreendidas, e Trump anunciou um “bloqueio total” a petroleiros sancionados que entram ou saem do país. Para o governo venezuelano, trata-se de uma estratégia de asfixia econômica e de preparação para uma mudança de regime. 

“O combate às drogas é apenas um pretexto para justificar uma agressão imperialista contra a Venezuela”, tem afirmado o presidente Nicolás Maduro, que denuncia violações do direito internacional e reafirma que o país não aceitará ameaças à sua soberania.

Dependente das exportações de petróleo – setor que sustenta grande parte de sua economia e concentra as maiores reservas comprovadas do mundo -, a Venezuela vê no bloqueio e nos ataques uma tentativa direta de estrangulamento econômico. Diante da escalada, Caracas tem recorrido a fóruns internacionais, denunciando os EUA por atos unilaterais e defendendo uma solução diplomática. A sucessão de ataques em águas internacionais e a retórica beligerante de Washington reacendem o alerta sobre os riscos de uma militarização ainda maior do Caribe e da América Latina, sob o discurso seletivo da “guerra às drogas”, historicamente usado para legitimar intervenções e pressões imperialistas na região.


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