O acordo entre os EUA e o Irã é uma derrota para Trump
Trump não conseguiu alcançar nenhum dos objetivos a que se propusera no ínicio da guerra
Após 111 dias de guerra e na sequência do precário cessar-fogo de 9 de abril, Donald Trump e o primeiro-ministro da República Islâmica, Shehbaz Sharif, assinaram um Memorando de Entendimento em 17 de junho de 2026.
Este acordo representa uma derrota contundente para a administração Trump, que havia prometido aniquilar o Irã caso este não aceitasse uma “rendição incondicional”. A administração não conseguiu alcançar nenhum dos objetivos a que se propusera no início da guerra: a destruição dos mísseis e do arsenal iraniano, a queda do regime dos aiatolás e o desmantelamento do programa nuclear do Irã.
O acordo assinado em 17 de junho estabeleceu termos para implementação imediata, como a cessação permanente das operações militares em todas as frentes — incluindo o Líbano —, a reabertura do Estreito de Ormuz, o descongelamento de fundos iranianos retidos pelos Estados Unidos e o restabelecimento do direito de comercializar e exportar livremente o petróleo iraniano e seus derivados.
Após a assinatura, o governo fascista de Netanyahu em Israel continuou tentando sabotar o acordo por meio de bombardeios criminosos no Líbano, que deixaram pelo menos cem mortos. O Irã respondeu fechando novamente o Estreito de Ormuz — um fechamento que havia sido elemento central da estratégia iraniana nos meses anteriores —, desencadeando assim uma crise energética global e provocando a alta dos preços do petróleo.
A decisão política do governo israelense aprofundou as divergências entre a administração imperialista ianque e Netanyahu, cujas consequências ainda estão por ser vistas.
Após o início dos ataques dos EUA no final de fevereiro, o Irã atingiu posições estratégicas norte-americanas no Oriente Médio com mísseis e drones. Essa ação, combinada com o fechamento do Estreito de Ormuz, teve graves repercussões internas para a administração Trump. O aumento dos custos dos combustíveis, a inflação crescente e a decisão de travar uma guerra sem consenso interno alimentaram o descontentamento público e sinalizaram perspectivas negativas para as eleições de meio de mandato, agendadas para novembro de 2026.
Além disso, no Memorando, os Estados Unidos se comprometem a suspender o bloqueio naval no Estreito de Ormuz — um processo a ser concluído em 30 dias — enquanto o Irã concorda em tomar medidas que garantam a passagem segura e desimpedida de navios mercantes por 60 dias e em realizar operações de desminagem em 30 dias.
Sujeitos à negociação de um acordo final em 60 dias (prorrogável por mútuo acordo), estão os seguintes pontos: a reconstrução do Irã, apoiada por US$ 300 bilhões em financiamento dos Estados Unidos e seus aliados; a suspensão de todas as sanções econômicas e comerciais; e as negociações relativas ao programa nuclear iraniano (que antecede a guerra).
Por sua vez, o Irã retoma o controle dos fundos congelados nos Estados Unidos e garante a suspensão das sanções às exportações de petróleo, reservando-se o direito de cobrar pedágio no Estreito de Ormuz até que o acordo final seja alcançado.
Até a data desta publicação (21 de junho), delegações dos EUA e do Irã tinham encontros marcados na Suíça, com a presença de mediadores do Catar e do Paquistão. O governo israelense reafirmou que suas forças militares não se retirariam do sul do Líbano.
A brutal ofensiva EUA-Israel, lançada no final de fevereiro — caracterizada por uma enorme disparidade de poderio militar — encontrou um povo e uma nação que, longe de ceder, confrontaram a agressão imperialista; isso representa um sério revés para os Estados Unidos, demonstrando mais uma vez que as potências imperialistas são, como observou Mao Tsé-Tung, “tigres de papel”.