PF avança em investigações sobre INSS e Banco Master
Relatórios sobre fraudes em aposentadorias e crimes financeiros devem ser enviados ao STF; novos elementos aproximam caso Master do entorno de Flávio Bolsonaro
Foto: Polícia Federal/Divulgação
A Polícia Federal (PF) deve concluir nas próximas semanas os primeiros relatórios de duas das investigações de maior repercussão do país: o esquema de descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e as suspeitas de crimes financeiros envolvendo o extinto Banco Master. Os documentos serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha ambos os casos.
As informações foram apresentadas pelo diretor da PF para Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali, durante um café da manhã com jornalistas ao lado do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Segundo Cali, o relatório inicial sobre a Operação Sem Desconto será concluído ainda neste mês, enquanto as primeiras conclusões sobre o Banco Master devem ser entregues “muito em breve”.
No caso do INSS, a principal linha de investigação aponta para a prática de “desconto associativo não autorizado” sobre aposentadorias e pensões. A Operação Sem Desconto revelou um esquema em que entidades descontavam mensalidades associativas diretamente dos benefícios previdenciários sem autorização dos segurados. As investigações indicam que o funcionamento da fraude dependia da participação de servidores ligados ao próprio INSS.
Embora o relatório esteja em fase final de elaboração, a PF afirma que as investigações continuam. A expectativa é de que novas frentes sejam abertas à medida que o material apreendido seja analisado.
O documento será encaminhado ao ministro do STF André Mendonça, relator da investigação. Nos últimos dias, setores da oposição passaram a divulgar a versão de que a corporação teria desacelerado as apurações durante o período eleitoral, especialmente em relação ao empresário Fábio Luís da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A direção da Polícia Federal rejeitou as acusações. “Esse tipo de abordagem, sim, é para fins eleitoreiros, não condiz com a realidade”, afirmou o diretor-executivo da corporação, William Murad. Segundo ele, a Operação Sem Desconto concentra hoje o maior número de delegados e analistas da PF, já realizou nove fases operacionais, resultou em 27 prisões e concluiu a análise de cerca de 40% do material apreendido.
O ministro André Mendonça também conduz a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes no sistema financeiro envolvendo o Banco Master. A principal hipótese da PF é a prática de crimes financeiros e manipulação da situação patrimonial da instituição.
Durante o encontro com jornalistas, Andrei Rodrigues comentou ainda a tentativa de colaboração premiada apresentada pelo ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro. Segundo o diretor-geral da PF, a proposta foi rejeitada tanto pela corporação quanto pela Procuradoria-Geral da República por não trazer elementos inéditos às investigações. “Não existe interesse técnico”, afirmou.
As investigações sobre o Banco Master ganharam novo impulso após a divulgação de mensagens que indicam proximidade entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro. Reportagem publicada pelo The Intercept Brasil revelou que, no fim de 2025, o então banqueiro foi cobrado pelo parlamentar para efetuar pagamentos prometidos ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Paralelamente, a Polícia Federal instaurou um novo inquérito para investigar o destino de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-RJ) ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada à dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme. Frias, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, também participou da elaboração da primeira versão do roteiro.
A abertura da investigação foi autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, responsável por diversos processos relacionados à fiscalização de emendas parlamentares.
Ao mesmo tempo, André Mendonça analisa um pedido apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) para que Flávio Bolsonaro também seja formalmente investigado no âmbito do caso. Inicialmente encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, o pedido acabou sendo redistribuído a Mendonça após manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por entender que os fatos guardam relação direta com as investigações sobre o Banco Master. A decisão foi referendada pelo presidente do STF, Edson Fachin.
Agora, cabe à Procuradoria-Geral da República emitir parecer sobre o mérito da solicitação. Somente após essa manifestação o relator decidirá se autoriza ou não a abertura de investigação envolvendo Flávio Bolsonaro e o financiamento do filme Dark Horse.