Datafolha: Lula marca 47% contra 43% de Flávio no segundo turno
Pesquisa indica estabilidade nas intenções de voto, com Lula à frente por pequena diferença
Foto: Lula e Flávio Bolsonaro. (Ricardo Stuckert/PR | Lula Marques/Agência Brasil)
A última pesquisa do Datafolha, divulgada nesta última sexta-feira (21), demonstra que Lula se mantém à frente de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o presidente tem 39% das intenções de voto enquanto o Flávio chega a 33%. Já no segundo, Lula continua na frente pontuando 47% contra 43% do candidato da extrema direita.
Essa é a primeira pesquisa do instituto depois do início das eleições e indica estabilidade nos números. Em comparação com a última sondagem, realizada antes do período eleitoral, Lula caiu 1% enquanto Flávio manteve a mesma pontuação. Os números se mantém dentro da margem erro, mas sua série indica uma tendência favorável ao petista. Da mesmas forma, os outro candidatos da direita (Caiado, Zema e Renan) também se mantiveram estáveis.
Os dados da pesquisa
O Datafolha também divulgou outros dados importantes no cenário eleitoral do primeiro turno. Nas regiões, Lula tem uma grande maioria de intenções no Nordeste (53% x 25%), enquanto Flávio fica ligeiramente à frente no Sudeste (36% x 33%) no Centro Oeste e Norte (35% a 33). Já no Sul, o bolsonarista abre margem mais ampla (38% a 33%).
Entre os gêneros, a divisão é gritante, com Flávio um pouco a frente entre os homens (37% x 36%), mas Lula faz grande vantagem entre as mulheres (41% x 21%), refletindo o repúdio do público feminino ao reacionário. Já entre as faixas etárias, Lula vence entre os jovens de 16 a 24 anos (37% a 31%) em um segmento no qual Renan Santos também se destaca, indo de seus 4% na pesquisa para 11%. Entre os 25 e 44 anos, os dois estão empatados ao redor dos 35%, e entre os maiores de 45 anos Lula apresenta grande vantagem, marcando mais 40% das intenções de voto (e chegando a 45% nas pessoas com mais de 60 anos) enquanto Flávio tem somente 32%.
Em outros estratos, Lula também demonstra uma vantagem geral. Segundo o critério de escolaridade, vence disparado entre eleitores com ensino fundamental (49% x 26%) e com menor margem no ensino superior (37% a 33%), enquanto Flávio ganha entre entre aqueles com ensino médio (38% a 33%). Já entre as religiões, Lula vence bem entre os católicos (46% x 29%), mas perde com grande distância entre evangélicos (48% a 23%).
Lula segue na frente em disputa incerta
Os dados confirmam a pouca variação na intenções de voto nas últimas semanas, mantendo uma vantagem de Lula que vem se estabilizando desde a revelação das relações de Flávio com o banqueiro corrupto Daniel Vorcaro, preso através investigações do caso Master. E ainda que a grande mídia tenha se esforçado em dar publicidade às investigações contra seu filho, acusado de tráfico de influência pela relações com lobistas, até o momento isso não parece ter afetado diretamente o eleitorado.
Mas os números seguem apertados. Nas próximas semanas, é bem provável que esse tema tome mais espaço na campanha eleitoral e o próprio Lula declarou defender que o filho seja ouvido rapidamente pela Polícia Federal, buscando se diferenciar da postura anterior de um Jair Bolsonaro que atuou abertamente para impedir investigações contra seus filhos quando era presidente.
O presidente também aposta em outras frentes para manter a dianteira. Por um lado, aposta no destravamento da tramitação do fim da escala 6×1 no Senado durante o curto período de atividade legislativa antes das eleições, assim como também em propostas sobre segurança pública e extração de minerais críticos. Por outro, dá fortes sinalizações econômicas ao patrões, buscando ampliar a austeridade fiscal para deslocar setores da burguesia para si, ou pelo menos ampliar sua “neutralidade” nas eleições.
Enquanto isso, outra grande incógnita será o papel da ingerência externa. O governo dos EUA declara reiteradamente seus objetivos de intervenção no Brasil, à exemplo do que fez nas recentes eleições colombianas, e tem a seu lado grandes empresas de tecnologia que operam as principais plataformas de comunicação do Brasil. Apesar de sua vantagem, Lula está longe de uma vitória certa.