Eleições começam com pesquisas acirradas e polarização
DSC09836.JPG

Eleições começam com pesquisas acirradas e polarização

Pesquisas recentes confirmam liderança de Lula no primeiro turno, mas também mostram que a disputa com o bolsonarismo continua acirrada

Foto: Campanha eleitoral do PSOL em São Paulo. (Isabelle Guimarães/Reprodução)

A política brasileira entrou, nesta semana, em uma nova etapa. Com o início oficial da propaganda eleitoral em 16 de agosto, as eleições de 2026 deixaram de ser apenas uma disputa de articulações partidárias e passaram a ocupar as ruas, as redes sociais e, a partir da próxima semana, o rádio e a televisão. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e colocará em disputa a Presidência da República, os governos estaduais, 54 das 81 cadeiras do Senado e todas as 513 vagas da Câmara dos Deputados.

O centro da disputa presidencial continua sendo a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Os dois deram início à campanha no domingo (16), inaugurando uma corrida eleitoral marcada pela polarização e pelos esforços de mobilização de cada campo, além das tentativas de conquistar eleitores ainda indecisos ou pouco dispostos a comparecer às urnas.

Lula iniciou a campanha no histórico estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, palco das grandes assembleias metalúrgicas do final da ditadura. Flávio, por sua vez, apostou em Copacabana e na associação direta com o pai, mas mobilizou muito menos do que o esperado em um ato que não contou com a presença de figuras chave da extrema direita, como Michelle Bolsonaro e Silas Malafaia. Nessa semana, os dois candidatos também ampliaram suas agendas presenciais em diferentes regiões do país, com Lula indo até o Amapá com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e Flávio fazendo outro ato esvaziado, dessa vez em Minas Gerais com Nikolas Ferreira.

Vantagem de Lula no primeiro turno, disputa apertada no segundo

As pesquisas recentes confirmam que Lula permanece na liderança do primeiro turno, mas também mostram que a disputa com Flávio está acirrada no certo segundo turno.

Na BTG/Nexus realizada entre 14 e 16 de agosto, Lula aparece com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio. No segundo turno, porém, a diferença diminui para três pontos: 47% a 44%, dentro da margem de erro. A Quaest, por sua vez, apontou Lula com 38% no primeiro turno contra 31% de Flávio e, no segundo turno, 43% contra 40%.

A expectativa também esteve concentrada na nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (21), primeiro levantamento do instituto após o registro oficial das candidaturas. A pesquisa anterior, de julho, mostrava Lula com 48% contra 43% de Flávio em um eventual segundo turno.

Os números ajudam a explicar a intensidade das movimentações políticas desta semana. A liderança de Lula no primeiro turno não significa uma eleição tranquila, enquanto o desempenho de Flávio demonstra resiliência do bolsonarismo, que continua dispondo de uma base eleitoral expressiva mesmo com a divisão do campo da direita. E as incertezas tendem a aumentar com o noticiário esquentando: as investigações ao redor do entorno de Lula, possíveis novas revelações contra Flávio e a indefinição com relação ao grau da ingerência externa compõem o cenário

Flávio aposta na segurança e intensifica ataques

A estratégia do candidato do PL nesta primeira semana de campanha ficou mais evidente: fortalecer a identidade bolsonarista, explorar a pauta da segurança pública e atacar diretamente o governo Lula.

Ao lado de Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Flávio defendeu endurecimento de penas, redução da maioridade penal para 14 anos em determinados crimes e outras medidas de caráter punitivista. Também elogiou a política de segurança do governo de Nayib Bukele, de El Salvador, frequentemente criticada por organizações de direitos humanos.

O candidato reacionário também passou a explorar politicamente as investigações envolvendo o filho do presidente. O caso ganhou espaço no discurso bolsonarista justamente no momento em que a campanha eleitoral começou oficialmente. A Polícia Federal identificou uma conexão entre Lulinha e um lobista que mantinha negociações com o governo, enquanto a PGR sugeriu o envio do caso para a primeira instância da Justiça.A ofensiva indica uma tentativa de deslocar o debate eleitoral para denúncias de corrupção e segurança pública, temas tradicionalmente mobilizados pela direita .

Lula tenta manter dianteira

Do outro lado, a campanha de Lula procura apresentar a eleição como uma escolha entre projetos distintos para o país, associando seu governo às políticas que implementou em outros mandatos, apostando nos índices econômicos e em políticas de transferência de renda. A isso se somam elementos novos que ampliam a unidade ao redor de sua campanha, como a defesa do fim da escala 6×1 (que tramita no Senado) e a defesa da soberania brasileira, pauta imposta externamente por Trump.

A estratégia também passa pela comparação com o período Bolsonaro e pela tentativa de apresentar a candidatura petista como uma alternativa à extrema direita. Nesse cenário, temas econômicos e sociais devem ganhar peso à medida que a campanha avançar.

A disputa não se limita, entretanto, à Presidência. O resultado para o Congresso será fundamental para determinar a capacidade de qualquer futuro governo de implementar seu programa. A renovação da Câmara e do Senado será uma das grandes batalhas de 2026, especialmente porque o Centrão continuará tendo papel decisivo na formação de maiorias parlamentares. Não por acaso, nacionalmente este setor declarou neutralidade e gerou contradições significativas

Centrão e alianças estaduais entram no jogo

A semana também foi marcada pela movimentação dos partidos da direita tradicional em torno das eleições estaduais e da sucessão presidencial. Enquanto Lula busca ampliar alianças e garantir apoio político nos estados, deslocou Alcolumbre e busca composição com outro setores da burguesia, os partidos do Centrão declaram neutralidade nacional, isolando a candidatura bolsonarista.

Esse movimento é importante porque a eleição de 2026 não será decidida apenas pela força dos dois polos nacionais. Governadores, senadores e deputados eleitos terão influência direta sobre a correlação de forças que se formará a partir de 2027.

Congresso também entra no cálculo eleitoral

A proximidade das eleições começa a contaminar a agenda do Congresso. Temas de grande repercussão social, como segurança pública, o fim da escala 6×1, as bets, entre outros, estarão no centro das negociações e já são utilizados pelos partidos para demonstrar posições diante do eleitorado.

O fim da escala 6×1, em particular, tem potencial para se transformar em um dos temas sociais mais importantes da campanha de Lula, por atingir diretamente milhões de trabalhadores e expor a polarização entre as candidaturas ao redor também da jornada, de direitos trabalhistas e da organização do trabalho.

A discussão deverá ganhar ainda mais visibilidade nas próximas semanas, quando os candidatos começarem a apresentar seus programas de governo de maneira mais detalhada e avançarem os debates.

Horário eleitoral começa na próxima semana

Outro marco importante da semana foi a preparação para o início do horário eleitoral gratuito, previsto para 28 de agosto. A Justiça Eleitoral iniciou a organização dos planos de mídia, que definirão a distribuição do tempo entre partidos e candidaturas.

A televisão e o rádio devem alterar significativamente a dinâmica da campanha. Até agora, Lula e Flávio têm concentrado esforços nas redes sociais, nos atos de rua e na mobilização de suas respectivas bases. Com o horário eleitoral, os candidatos terão a oportunidade de alcançar parcelas maiores do eleitorado e disputar especialmente aqueles que ainda não acompanham intensamente a corrida presidencial.

A Justiça Eleitoral também já recebeu mais de mil denúncias de irregularidades na propaganda. Até quarta-feira (19), o aplicativo Pardal contabilizava 1.103 registros relacionados às eleições, com São Paulo, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais entre os estados com maior número de ocorrências.

Uma eleição que começa sob forte polarização

A primeira semana oficial da campanha deixa um cenário relativamente claro: Lula chega à disputa liderando as pesquisas de primeiro turno, mas enfrenta um adversário com uma base consolidada e capaz de tornar o segundo turno bastante competitivo.

Flávio Bolsonaro aposta na força do sobrenome, na memória do governo do pai, na pauta da segurança e na rejeição ao PT. Lula, por sua vez, deverá explorar a comparação entre os dois projetos políticos, o balanço de seu governo e a defesa de políticas sociais que o diferenciem de Flávio.

A partir de agora, entretanto, a eleição começa a ultrapassar a bolha política. Com a campanha nas ruas, a televisão prestes a entrar no jogo e os eleitores começando a definir suas escolhas, a disputa de 2026 passa a ser também uma batalha por propostas concretas sobre emprego, renda, saúde, educação, segurança, direitos trabalhistas e democracia.

Faltam pouco mais de seis semanas para o primeiro turno. A eleição, enfim, começou.


TV Movimento

Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista na Conferência Antifascista

Atividade de Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista, organizada pela IV Internacional durante a 1ª Conferência Internacional Antifascista, ocorrida em Porto Alegre entre os dias 26 e 29 de março de 2026

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre

Encontro Nacional do MES-PSOL

Ato de Abertura do Encontro Nacional do MES-PSOL, realizado no último dia 19/09 em São Paulo
Editorial
Israel Dutra | 21 ago 2026

Ponto de não retorno

A batalha recém começa. Vamos tomar as ruas com nossas campanhas combativas, fazendo todos os esforços tanto para reeleger Lula como para fortalecer um polo programático anticapitalista
Ponto de não retorno
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça a Revista Retomada!
A Revista Retomada é uma publicação trimestral produzida pelo Movimento Esquerda Socialista (MES-PSOL) em articulação com intelectuais, militantes e artistas
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
A Revista Retomada é uma publicação trimestral produzida pelo Movimento Esquerda Socialista (MES-PSOL) em articulação com intelectuais, militantes e artistas

Autores