Esquerda denuncia violência política em Campinas
Mariana Conti

Esquerda denuncia violência política em Campinas

Materiais de candidatos como Mariana Conti (PSOL) e de nome do PT e PCdoB foram destruídos; candidaturas acionam Justiça Eleitoral para identificar responsáveis

Foto: Arquivo pessoal

Uma sequência de ataques contra materiais de campanha de candidaturas de esquerda acendeu o alerta para a violência política em Campinas (SP). Nos últimos dias, faixas, placas e outras peças de propaganda de candidaturas do PSOL, PT e PCdoB foram destruídas ou vandalizadas em diferentes pontos da cidade, principalmente no distrito do Ouro Verde e na região Central, áreas de grande circulação de trabalhadores e moradores.

Entre as vítimas está a vereadora Mariana Conti (PSOL), candidata a deputada estadual. Em manifestação publicada nas redes sociais, ela denunciou episódios de sabotagem, vandalismo e violência política de gênero contra sua candidatura e sua militância.

A parlamentar afirmou que os ataques não irão interromper a atuação política do mandato nem a presença de sua candidatura nas ruas. O caso se soma a outras denúncias de destruição de materiais de candidaturas do campo progressista e levanta preocupação sobre a tentativa de intimidar a participação política por meio da violência.

Também candidata a deputada federal pelo PSOL, Fernanda Souto relatou que peças de sua campanha foram desmontadas e destruídas nos últimos dias. Ela atribuiu os ataques à extrema direita e anunciou o acionamento da Justiça Eleitoral para obter imagens das câmeras de monitoramento urbano que possam ajudar a identificar os responsáveis.

A candidata classificou os episódios como uma atitude “covarde e criminosa” e afirmou que continuará realizando sua campanha nas ruas.

Ataques atingem diferentes candidaturas

A violência não se restringiu às candidaturas do PSOL. A vereadora Guida Calixto (PT), que também disputa uma vaga na Câmara dos Deputados, confirmou que seus materiais de campanha vêm sendo vandalizados de forma recorrente em diferentes pontos de Campinas.

O vereador Gustavo Petta (PCdoB), candidato a deputado estadual, também relatou episódios de remoção e depredação de propaganda. Segundo os relatos, parte significativa dos ataques ocorre no Ouro Verde e na região Central.

A repetição dos episódios e a concentração territorial dos casos são elementos que devem ser considerados nas investigações. A destruição deliberada de material de campanha não representa apenas um prejuízo financeiro às candidaturas: quando inserida em um contexto de intimidação e perseguição política, pode comprometer o direito de participação e a própria liberdade de expressão política.

No caso de Mariana Conti, a denúncia de violência política de gênero acrescenta outra dimensão aos episódios. A legislação eleitoral brasileira prevê mecanismos específicos de proteção às mulheres contra práticas destinadas a dificultar ou impedir o exercício de seus direitos políticos.

O que pode acontecer agora

A iniciativa de recorrer à Justiça Eleitoral permite que as candidaturas busquem a identificação dos responsáveis e a preservação das provas. Entre as providências possíveis estão a requisição de imagens de câmeras de segurança, a coleta de fotografias e vídeos dos locais atingidos, o registro formal das ocorrências e a identificação de testemunhas.

Dependendo das circunstâncias e das provas reunidas, os responsáveis podem responder eleitoralmente e também na esfera criminal. A destruição ou vandalização de propaganda pode configurar ilícitos previstos na legislação eleitoral e, conforme a conduta praticada, outros crimes previstos na legislação penal.

Nos casos em que houver elementos de violência política contra mulheres, a investigação também pode avaliar a aplicação das normas específicas que protegem a participação política feminina. A Lei nº 14.192/2021 estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher e considera violência política toda ação, conduta ou omissão destinada a impedir, obstaculizar ou restringir os direitos políticos das mulheres.

A Justiça Eleitoral deverá analisar os pedidos apresentados pelas candidaturas e determinar, conforme o caso, as medidas necessárias para preservar as imagens e demais elementos que possam contribuir para a identificação dos autores.

Mais do que a reposição de faixas ou placas, a investigação dos episódios é importante para estabelecer se os casos são atos isolados de vandalismo ou fazem parte de uma ação coordenada de intimidação política. A resposta institucional será fundamental para garantir que candidaturas possam disputar as eleições sem sofrer ameaças ou ataques destinados a silenciar sua atuação pública.


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