PSOL pede cassação após deputada do PL fazer blackface na Alesp
Fabiana Bolsonaro

PSOL pede cassação após deputada do PL fazer blackface na Alesp

Performance racista e transfóbica de Fabiana Bolsonaro provoca reação imediata, abaixo-assinado e pode levar à perda do mandato

Tatiana Py Dutra 19 mar 2026, 10:23

Foto: Reprodução

Um episódio que escancara o racismo estrutural e a transfobia nas instituições públicas ganhou o plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo nesta quarta-feira (18). A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) realizou uma encenação de blackface — prática historicamente racista – enquanto atacava a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A reação foi imediata: a bancada do PSOL formalizou pedido de cassação da parlamentar e impulsionou uma campanha pública pela perda de seu mandato.

Durante sua fala, Fabiana Bolsonaro apareceu com o rosto, o pescoço e os braços pintados com base escura. A parlamentar tentou justificar a encenação como um “experimento social”, atacando diretamente Erika Hilton, mulher trans e uma das principais lideranças da esquerda no Congresso.

“Eu tive os privilégios de uma pessoa branca durante toda a minha vida. Agora, aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. E agora, virei negra?”, disse.

Na sequência, reforçou o argumento: 

“Estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que eu não posso, então, presidir a comissão sobre antirracismo?”.

Em outro momento, afirmou que, mesmo “se pintando de negra”, não viveria “as dores da essência” da população negra – declaração que evidencia o caráter ofensivo e discriminatório do ato.

A fala foi interrompida pela deputada Mônica Seixas (PSOL), que denunciou a gravidade do episódio, acusando Fabiana de racismo, transfobia e prática de blackface. Ela também solicitou a suspensão da sessão e a censura do discurso por ódio.

Mesmo diante da denúncia, o presidente da sessão, Fábio Faria de Sá (Podemos), permitiu que a deputada concluísse sua fala e afirmou que o caso seria encaminhado à presidência da Casa.

Racismo e transfobia como ataque político

O episódio foi dirigido à escolha de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Além do blackface, a deputada do PL fez declarações que questionam identidades trans. Ao afirmar “se transvestir de mulher também não é crime”, reforçou discursos que buscam criminalizar pessoas trans e excluí-las dos espaços de poder.

A prática de blackface, amplamente condenada por movimentos negros, remonta a tradições racistas que ridicularizavam pessoas negras e sustentavam hierarquias coloniais. Já o ataque à identidade de gênero de Hilton insere o caso em uma ofensiva mais ampla contra direitos da população trans.

Pedido de cassação e mobilização

Para a bancada do PSOL, o caso exige resposta exemplar. Parlamentares classificaram o episódio como “racista e transfóbico”, incompatível com o exercício do mandato, e anunciaram medidas no Conselho de Ética, no Ministério Público e na esfera criminal.

A deputada Mônica Seixas também registrou boletim de ocorrência e lançou uma iniciativa pública para pressionar pela cassação de Fabiana Bolsonaro: um abaixo-assinado que reúne denúncias e reivindicações formais de responsabilização.

O documento afirma que o episódio é “gravíssimo e inaceitável” e destaca que a conduta da parlamentar:

  1. “Fere o decoro parlamentar, requisito essencial ao exercício do mandato”;
  1. “Viola os princípios constitucionais da igualdade, da dignidade da pessoa humana e da não discriminação”;
  1. “Legitima práticas racistas e transfóbicas”;
  1. “É incompatível com a responsabilidade de representar o povo paulista”.

A petição exige “a imediata abertura de processo por quebra de decoro parlamentar na ALESP”, “a rigorosa apuração dos fatos pelos órgãos competentes” e “a cassação do mandato da deputada Fabiana Bolsonaro”.

O abaixo-assinado pode ser acessado neste link.

Pressão por responsabilização

O caso repercutiu amplamente nas redes sociais e entre organizações de direitos humanos, que cobram punição rigorosa. Para setores da esquerda, a ausência de interrupção imediata da fala também levanta questionamentos sobre a conivência institucional com discursos de ódio.

Agora, o foco recai sobre o andamento do pedido de cassação no âmbito da Assembleia Legislativa de São Paulo. A depender dos desdobramentos, o episódio pode se tornar um marco na disputa sobre os limites da atuação parlamentar diante de práticas racistas e transfóbicas.

Para o PSOL e movimentos sociais, a resposta precisa ser inequívoca: não há espaço para racismo e transfobia no Parlamento.


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