Caso “Bolsomaster” – um filme que muda o roteiro
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Caso “Bolsomaster” – um filme que muda o roteiro

Pela luta aberta para derrotar Flávio e construir as lutas e paralisações para acabar com a escala 6×1. Esse deve ser nosso roteiro

Israel Dutra 15 maio 2026, 09:42

Foto: Flávio Bolsonaro. (Waldemir Barreto/Agência Senado)

Há um ponto de viragem na disputa eleitoral que se avizinha. A relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, explicitada em áudio, com mudou por completo a conjuntura. As semanas anteriores estavam marcadas pela queda de Lula nas pesquisas, as derrotas vexatórias no caso de Messias e da Dosimetria e pela retomada da ofensiva da extrema direita. Lutas moleculares, duras, justas, em curso também compunham e compõe o cenário.

A justificativa de Flávio é frágil. O “filme” que os Bolsonaros alegam como destino da propina tem o dobro do orçamento do premiado “Agente Secreto”. Não é “Dark Horse”, e sim o “esquema Bolsomaster”, o filme que muda o roteiro eleitoral do país.

A velocidade da conjuntura já é o novo normal. Agora, os Bolsonaro estão na defensiva. É hora de atacar sem pena nem glória.

A crise do Master chegou no Clã Bolsonaro

A revelação do áudio que explicita a relação corrupta entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro marca o mais importante ponto de inflexão na disputa eleitoral que começa a esquentar. Foram 61 milhões de reais pagos pelo dono do Banco Master para supostamente patrocinar o filme sobre Jair Bolsonaro. A denúncia se espalhou como um rastilho de pólvora.

Nas redes, a expressão “Bolsomaster”, de forma irônica, foi a mais compartilhada nos últimos dois dias. Henrique, o pai do clã Vorcaro preso na manhã de quinta, dirigia o núcleo “violento” dessa verdadeira milicia dos bilionários que controlava negócios com o rentismo, o crime organizado (são notórias as relações com PCC e outras facções) e a apropriação de recursos públicos como no caso do BRB e da previdência pública do Rio.

A produtora nega ter recebido o dinheiro. Eduardo aparece como suspeito de usar parte do recurso para manter sua moradia nos Estados Unidos. Zema atacou com força, Renan Santos chamou Flávio de peça do “Partido da Corrupção”, anunciando o que seria o fim de sua candidatura; Caiado mais comedido, ainda assim, tomou distância e pediu investigações. A extrema direita ficou atordoada, no canto do ringue, para usar a metáfora do boxe. A direita amplamente falando se debate diante de uma crise recém começa.

Essa movida importante mexe no tabuleiro eleitoral, derruba o discurso moralista da extrema direita, coloca o clã Bolsonaro na defensiva e mostra o quão importante é a investigação rigorosa do caso Master.

Escrevemos em fevereiro que “a crise do Banco master é um grande problema para o andar de cima e também uma oportunidade para a esquerda combativa agitar um programa antibanqueiros”.

Estivemos polemizando e atuando desde o primeiro minuto: foi o deputado distrital Fábio Felix (PSOL/DF) que protagonizou a luta política ao redor da denúncia que deu origem ao caso Master, ao tomar a defesa do BRB e de uma investigação. As deputadas Fernanda Melchionna (PSOL/RS) e Heloisa Helena (REDE/RJ) pediram uma CPI do Banco Master. E agora a deputada Sâmia Bomfim (PSOL/SP) postulou a necessidade da prisão de Flávio.

A extrema direita na defensiva

Qual a dinâmica que se impõe a partir de agora? Aproveitar para debilitar os Bolsonaros e colocar na ordem do dia a defesa das pautas da classe trabalhadora como a derrubada da escala 6×1.

É cedo para saber os desdobramentos do caso Bolsomaster. Flávio teria fôlego para manter sua candidatura? Em se mantendo, quais efeitos nas pesquisas de opinião e mesmo na certeza de que teria o mesmo apoio que tem agora – quando disputa, de forma parelha, a primeira posição com Lula.

O fato é que mudou a conjuntura, a extrema direita está na defensiva, novas revelações devem incrementar mais o enredo do “filme”.

Uma oportunidade que se abre

Ainda é uma porta estreita, mas que pode se abrir. A extrema direita é enraizada e resiliente. Dispõe de recursos, aparatos comunicacionais, capacidade de agitação, muito dinheiro e muito apoio. O que se abre como oportunidade é uma mudança de dinâmica. E essa oportunidade pode não durar muito, para tanto é hora da luta política. Da luta contra a corrupção, da luta contra o privilégio dos ricaços, de quebrar por baixo o discurso dos reacionários. A campanha nem começou e já esquentou.

Réu confesso em Barcelona (onde bem diagnosticou o lugar do neoliberalismo para a fermentação da extrema direita), estadista com Trump nos Estados Unidos (diante de um criminoso de guerra), negociador na redação final da lei que trata a escala 6×1, Lula não aposta na mobilização.

Maio está sendo um mês de luta duras e moleculares, com um apelo massivo para derrubar a extenuante escala 6×1, mas quando as centrais e o PT sequer convocaram atos unitários e dignos do primeiro de maio. Lutas duras como a de professores e municipários de SP, BH, Florianópolis e Goiânia, Canoas, entre várias; como a dos técnicos das universidades que seguem em greve nacional; como as campanhas salariais de Metroviários de SP e outras categoria. E tendo como centro a greve das universidades estaduais paulistas, que movem dezenas de milhares de estudantes e servidores no estado governado por Tarcísio, laboratório dos planos da burguesia mais reacionária. No próximo dia 20 de Maio, um ato unitário se propõe a dar sentido comum e denunciar o governador paulista. e sua linha truculenta.

As centrais deveriam estar fazendo uma imensa campanha, não apenas um dia de luta ainda sem grande convocação, o que mostra como se movem subordinadas ao congresso e sem vontade de se mobilizar.

A oportunidade, que deve ser impulsionada pelo PSOL e suas figuras, é abrir a luta contra os Bolsonaros e mobilizar ao redor de um programa básico, para que triunfem as lutas e para que se energize os milhões que estarão com Lula, cada vez mais sem entusiasmo e conscientes de que ele pode conter a volta do Clã, mas não apresenta uma grande perspectiva de futuro.

A energia do ativismo ao redor de pautas concretas, como levar a cabo a redução da jornada de trabalho, a luta que o movimento feminista está travando ao redor de iniciativas contra a violência de gênero e os “redpill”, na luta contra a corrupção, a taxação dos grandes fortunas, sem anistia nem dosimetria, a tarifa zero, abrindo caminho para as lutas represadas e mostrando que não é com gráficos e marketing (apenas) que se derrota a extrema direita e sim convencendo e mobilizando a maioria social.

À luta aberta para derrubar Flávio. E construir as condições para um dia nacional de lutas e paralisações para acabar com a escala 6×1, indicado inicialmente para o dia 27 de maio. Esse deve ser nosso roteiro.


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