Flávio se encontra com Trump para desviar atenção do caso Bolsomaster
A cada dia surgem novas revelações de corrupção ligadas ao candidato e dificilmente a viagem terá o efeito desejado na campanha bolsonarista
Foto: Flávio Bolsonaro com Trump na Casa Branca. (Reprodução/Redes Sociais)
Em meio a uma crise política que explodiu após as revelações de suas relações com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, nesta semana a campanha de Flávio Bolsonaro buscou uma “agenda positiva” para desviar a atenção do caso Bolsomaster e o pré-candidato foi aos Estados Unidos se encontrar com o Donald Trump.
A viagem foi realizada pouco tempo depois da visita de Lula à Trump e foi articulada por seu irmão Eduardo, que hoje vive nos EUA para fugir da justiça brasileira. Como principal representante da extrema direita hoje no Brasil, Flávio fez questão de se diferenciar de Lula ao mostrar completamente alinhado ao presidente estadounidense, e a foto ao lado do maior líder fascista mundial é importante para coesionar certa base bolsonarista que sofreu rachaduras após a descoberta de das ligações do candidato com o “irmão” Vorcaro.
Entretanto, tal movimentação provavelmente terá pouco impacto real na campanha por diversos motivos. O primeiro é que nem a viagem – nem a foto com Trump – respondem as perguntas que ainda pairam sobre as relações entre Vorcaro e a família Bolsonaro. A cada dia surgem novas revelações e já está evidente que, mais do que um simples investidor, o banqueiro teve um papel determinante na produção de Dark Horse, chegando inclusive a derrubar notícias sobre o filme.
E a tendência é que mais coisa apareça. A nova operação da Polícia Federal contra o ex-governador Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, indica que mais de R$ 3 bilhões de reais da Rioprevidência foram aportados no Banco Master, numa revelação que não é menor no estado de Flávio. As relações entre o bolsonarista Castro e a família Bolsonaro também são públicas e ainda não se sabe exatamente o que mais as investigações podem revelar sobre esse vínculo.
Além disso, o impacto eleitoral da subserviência a Trump é limitado. Segundo pesquisas recentes, a maioria da população brasileira tem uma opinião negativa sobre o presidente dos EUA, cuja imagem ficou ainda mais arranhada no Brasil após as ações de sua guerra tarifária contra o país. Se é fato que tal aproximação articula a base bolsonarista, é fato também que não responde aos questionamentos de um setor indeciso dos eleitores, grupo chave que Flávio precisa conquistar para vencer as eleições.
E, enquanto segue no país o trâmite para o fim da escala 6×1, o candidato da extrema direita aposta na nada popular “PEC da Servidão” e sem respostas convincentes sobre nenhuma das questões que mais o pressionam, seguindo na defensiva em sua volta ao Brasil