Classe e soberania: o caminho para derrotar Trump
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Classe e soberania: o caminho para derrotar Trump

Os novos ataques de Trump contra o Brasil são gravíssimos e abrem um grande espaço para levarmos a luta por soberania como maioria social

Israel Dutra 3 jun 2026, 13:08

Foto: Manifestação contra o imperialismo de Trump em São Paulo. (Redes Sociais/Reprodução)

A redução da jornada de trabalho será uma vitória histórica da classe trabalhadora. E uma eleição presidencial se aproxima, apertada e polarizada. A extrema direita joga suas cartas, recorrendo à Trump e a articulação internacional do neofascismo. Depois da classificação do PCC e do CV como terroristas, agora vem uma nova edição do Tarifaço, mirando o Pix e o controle das Big Techs.

A eleição, na prática, já começou. O enquadramento da disputa de Lula contra o bolsonarismo será o mais polarizado da história. A ação organizada, via redes sociais, da extrema direita na Colômbia, é uma antecipação do que viveremos no Brasil a partir de julho. Flávio, enrolado até os ossos com o caso “Bolsomaster”, precisa sair das cordas e da agenda defensiva com a investigação sobre o filme “Dark Horse”. A visita a Trump foi uma das suas cartadas.

A investida sobre o Pix, com a aplicação de 25% de novas tarifas sobre produtos brasileiros, é um ataque gravíssimo. E abre um amplo espaço para agarrarmos a bandeira da soberania como maioria social.

A luta está apenas começando.

Com uma “pequena ajuda” dos amigos

Se agregou um fato à foto. Como passaporte para Flávio Bolsonaro se reposicionar diante da crise que atingiu sua campanha, Trump penalizou o Brasil, usando a chamada seção 301 da lei de comércio dos EUA.

Primeiro foi a classificação do PCC e do CV como terroristas, seguindo o roteiro do que já foi estabelecido para violar a soberania nacional – o mesmo argumento usado para sequestrar Nicolás Maduro e Cilia Flores em 3 de janeiro na Venezuela. Uma ponte para mudar a agenda política, utilizando o senso comum com a crescente insegurança pública para justificar uma maior presença do imperialismo no país.

Depois, o sinal vermelho da Colômbia, onde a extrema direita avançou na reta final, frustrando a expectativa da esquerda de que Ivan Cepeda pudesse chegar em primeiro lugar. Houve fake news, mobilização apoiada no trumpismo nas últimas horas de eleições e uma onda a favor de Abelardo de la Espriella, de bandeira estadounidense em punho. A força das redes sociais foi determinante para esse salto na votação da oposição conservadora.

A última notícia foi a publicada ontem, com Trump atacando o Pix, a partir do novo tarifaço e da seção 301. Trump publicou a foto com os irmãos Bolsonaro na sua rede social para justificar sua linha de ação. É um ataque enorme, um grande risco, mas também pode abrir um caminho para a luta de massas em prol da soberania nacional.

Isso é parte da doutrina “Donroe”, onde Trump, atolado no Oriente Médio, podendo amargar uma derrota no Irã e com a crise moral da direita sionista, se volta para atacar a América Latina. O Brasil é parte disso.

Marco Rubio radicalizou colocando o Brasil na mesma lista que Cuba, Venezuela e outros países.

“Os traidores da pátria”

Lula respondeu bem e abre um novo cenário, dentro da “gangorra” do momento pré-eleitoral, quando falou que os Bolsonaros são traidores da pátria. E incrementou com o cartaz “O Pix é do Brasil”. Não é pouca coisa.

Se voltarmos no tempo, vamos recordar a verdadeira crise que se instalou quando o ministério da Fazenda tentou fazer uma desastrada regulação do Pix, gerando uma crise com uma das medidas mais impopulares do governo e voltando atrás poucos dias depois, tamanho o estrago e a confusão.

A questão do Pix é uma disputa sobre o controle de dados de milhões de pessoas, numa relação imbricada entre os interesses das finanças imperialistas e as Big Techs.

Agora, o jogo virou. É Trump e o imperialismo, ladeados pelo clã Bolsonaro, que ameaçam a existência e o funcionamento do Pix, um dos pilares da vida financeira de dezenas de milhões de brasileiros. A fúria com essa medida pode ser um vetor favorável para organizar a luta política ao redor da soberania durante o período eleitoral, sendo determinante para uma disputa tão apertada.

Parte disso também é fazer a discussão em relação à segurança pública, não deixando apenas para extrema direita a iniciativa nesse debate, como exemplarmente feito em artigo recente publicado por Theo Louzada Lobato. É óbvio que o clã Bolsonaro não quer combater nem PCC nem CV algum, já que está ligada ao crime e tem reconhecidas relações com milicianos e outros criminosos, mas impulsiona a pauta com o cinismo típico do neofascismo,

Construir uma linha para lutar e vencer

A receita é direta: usar da energia social que foi o diferencial para aprovação do fim da 6×1 na Câmara para defender o Pix e a soberania nacional, derrotar Trump e os Bolsonaros nas urnas, como as pesquisas de opinião mostram que é possível.

Devemos mobilizar a classe trabalhadora, ampla e diversa, a partir da força que a conquista da redução da jornada pode vertebrar. O primeiro passo é mobilizar e pressionar para que a proposta aprovada por maioria absoluta na câmara seja aprovada no Senado. Alcolumbre está se movendo para desidratar o projeto e a disputa será redobrada agora no debate do Senado. Precisamos mobilizar e construir uma data de mobilização, com a linha “Todos os olhos e pressão sobre o Senado”.

O PSOL pode cumprir um grande papel nessa nova conjuntura, se apoiando nos elementos mais avançados do discurso do governo, para recuperar a consciência de classe e anti-imperialista.

Nosso desafio é construir um movimento político e eleitoral ao redor de Lula, mas para além dos limites do governo federal, que paute um programa mínimo através da defesa de bandeiras de classe como a redução da jornada 6×1, a luta contra o endividamento das famílias brasileiras e contra a onda de feminicídios e violências que assolam as mulheres brasileiras; ligando tais ações com as bandeiras da soberania nacional, como a regulação das redes, a defesa do modelo do Pix e a taxação das grandes fortunas.

No plano internacional, nossa esperança e luta são por uma histórica vitória eleitoral na Colômbia. Aconteça o que acontecer, vivemos uma acumulação de consciência e mobilização impressionante no país de Gabriel Garcia Márquez e não se voltará atrás. E a rebelião boliviana, com seus riscos e heroísmo, precisa também ser apoiada contra as ameaças de um giro repressivo do governo de Rodrigo Paz. Uma vez mais, as luta estão apenas começando.

Essa é a linha para mobilizar e vencer.


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