Lula mantém liderança e amplia favoritismo entre eleitores espontâneos
Na última pesquisa BTG/Nexus, presidente segue à frente em todos os cenários da disputa presidencial de 2026; alta fidelidade do eleitorado e vantagem entre os não alinhados reforçam posição
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece na liderança da corrida presidencial de 2026, segundo a mais recente pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira. O levantamento mostra que, apesar de uma pequena recuperação do senador Flávio Bolsonaro (PL), Lula mantém vantagem no primeiro turno, lidera todas as simulações de segundo turno e amplia sua distância no voto espontâneo – indicador considerado um dos principais termômetros da consolidação das candidaturas.
No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, mantendo o mesmo desempenho da rodada anterior. Flávio Bolsonaro oscilou de 33% para 34%, reduzindo a diferença entre ambos de nove para oito pontos percentuais. Ainda assim, a disputa segue fortemente polarizada, com os dois candidatos concentrando 76% das preferências do eleitorado.
A pesquisa também evidencia uma fortaleza importante da candidatura do presidente: o voto espontâneo. Quando os entrevistados respondem sem receber uma lista de candidatos, Lula alcança 33% das citações, contra 20% de Flávio Bolsonaro. A diferença de 13 pontos é a maior registrada pela série histórica do instituto e sugere que a imagem do presidente continua mais presente na memória do eleitorado. Ao mesmo tempo, o percentual de indecisos caiu de 33% para 26%, indicando que parte dos eleitores está migrando para candidaturas já consolidadas.
Outro dado favorável ao presidente é o elevado grau de fidelização de sua base. Entre os eleitores que declaram voto em Lula, 83% afirmam que não pretendem mudar de candidato até a eleição. No conjunto do eleitorado, 74% dizem já ter uma decisão definitiva, sinalizando uma disputa cada vez mais cristalizada.
No segundo turno, diferença diminui
No segundo turno, Lula continua numericamente à frente de todos os adversários testados. Contra Flávio Bolsonaro, registra 47% das intenções de voto, ante 44% do senador. Embora a diferença tenha diminuído em relação ao levantamento anterior e esteja dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o presidente preserva a liderança. Nos demais cenários, vence com margem mais ampla candidatos como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos.
Os dados da pesquisa indicam ainda que Lula mantém vantagem entre o eleitorado que não se identifica fortemente com nenhum dos dois polos da política brasileira. Em análise sobre o levantamento, o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, observou que esse segmento – estimado em cerca de um quinto do eleitorado – continua inclinando-se, ainda que de forma moderada, para o presidente. Trata-se, porém, de um grupo mais suscetível a mudanças de percepção ao longo da campanha, tornando sua disputa uma das prioridades estratégicas da candidatura petista.
Entre as principais fortalezas de Lula estão justamente sua condição de incumbente, a alta lembrança espontânea, a fidelidade de sua base eleitoral e a capacidade de atrair parte dos eleitores independentes. A pesquisa também mostra que 39% dos entrevistados preferem a continuidade do governo petista, percentual superior aos 36% que manifestam preferência por um candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desafios à frente
Ao mesmo tempo, o levantamento revela desafios para o presidente. Sua rejeição subiu para 49%, crescimento de dois pontos em relação à rodada anterior. Além disso, a redução da vantagem sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno indica que a campanha deverá concentrar esforços na manutenção do apoio entre os eleitores não polarizados e na contenção do desgaste natural enfrentado por quem ocupa o governo federal.
Do lado da oposição, Flávio Bolsonaro demonstra capacidade de preservar praticamente toda a base do bolsonarismo e apresentou leve recuperação nas intenções de voto. Sua fidelização também é elevada: 76% de seus eleitores afirmam que não pretendem mudar de candidato. Entretanto, a principal fragilidade do senador continua sendo a dificuldade para romper os limites de seu eleitorado tradicional. Com 51% de rejeição – índice superior ao de Lula -, Flávio enfrenta maior resistência para conquistar votos entre os setores moderados e independentes, fator que ajuda a explicar a vantagem do presidente nas simulações de segundo turno.
Realizada entre os dias 26 e 28 de junho com 2.009 entrevistados em todo o país, a pesquisa BTG/Nexus tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08521/2026, o levantamento reforça que a disputa presidencial permanece polarizada, mas aponta que Lula segue como o candidato em posição mais favorável para iniciar a campanha oficial, combinando liderança nas intenções de voto, maior lembrança espontânea e vantagem entre parte do eleitorado que ainda pode definir o resultado da eleição.