Em novo vídeo, governo Trump reafirma plano para intervenção na América Latina
Material divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA declara que controle do país sobre o continente americano “nunca mais será questionado”
Foto: Sede do Departamento de Estado dos EUA. (USDE/Reprodução)
O Departamento de Estado dos EUA divulgou vídeo ontem (11) reafirmando as intenções imperialistas do governo de Donald Trump sobre a América Latina. Apresentando a história da Doutrina Monroe, “atualizada” por Trump em sua Estratégia de Segurança Nacional no final de 2025, o governo estadounidense afirmou que o controle do país sobre o continente “nunca mais será questionado”.
Defendendo o longo histórico de intervenções imperialistas em países latino-americanos, o vídeo é o mais recente passo de uma ofensiva que se desenvolve durante todo o segundo mandato de Trump, já deu primeiros sinais no início da guerra tarifária ano passado, passou pelo sequestro de Nicolás Maduro e a intervenção na Venezuela, pelo incremento do bloqueio criminoso contra Cuba, nas intervenções diretas em recentes eleições locais – como visto nitidamente nas últimas eleições colombianas – e se amplia de forma rápida.
Tal movimento demonstra o novo foco da política internacional trumpista após a derrota dos EUA na ação militar contra o Irã. Às vésperas das eleições legislativas norte-americanas de novembro, na qual Trump enfrenta uma queda livre na popularidade, a consolidação do controle imperialista na América Latina seria um carta importante também para a situação interna, reafirmando o ideário do Make America Great Again. Para isso, aposta também na coesão de seu eleitorado mais reacionário, como fez recentemente na redução da lista de vacinas infantis obrigatórias.
Como as próximas eleições brasileiras serão um fato político central para resistir tal avanço imperialista sobre o continente, os riscos de intervenção estrangeira nas eleições se consolidem cada vez mais. As sinalizações de apoio dos EUA à Flávio Bolsonaro são inúmeras, Trump conspira diretamente com seu irmão Eduardo, já ataca diretamente a soberania brasileira através de tentativas de desestabilização institucional (como no aumento das tarifas ou na afirmação de facções criminosas brasileiras como “terroristas”), além de uma operação subterrânea virtual através das Big Techs e do apoio à influenciadores de extrema direita.
Nesse contexto, a vitória de Lula se apresenta como uma tarefa estratégica para a derrota de Trump não só no Brasil, mas internacionalmente. Perante um cerco de governos de extrema direita na Argentina, Chile, Colômbia, El Salvador, entre outros, o Brasil representa uma importante trincheira no contexto latino-americano. Tal cenário é difícil, mas se combina com lutas de resistência por toda a América Latina e por uma indignação popular crescente em diversos países contra as ingerências dos EUA pelo continente, demonstrando que há força na luta antifascista e possibilidades reais de vencer os fascistas. Para isso, derrotar Trump é nossa tarefa central.