Flávio condiciona debates à presença de Lula
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Flávio condiciona debates à presença de Lula

Bolsonarista teme virar alvo dos adversários e quer concentrar campanha no confronto com o presidente; Lula deve participar apenas do debate da Globo

Foto: Agência Senado

A campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) decidiu condicionar sua participação nos debates do primeiro turno à presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estratégia revela a preocupação da equipe bolsonarista com a possibilidade de o candidato se tornar o principal alvo dos demais adversários caso Lula não esteja no palco.

“Vamos fazer todos os debates que o Lula participar. Ele só irá com o Lula. Com todo respeito aos outros candidatos”, afirmou nesta terça-feira (18) o coordenador político da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN).

A estratégia é clara: Flávio pretende concentrar sua campanha no confronto direto com Lula e evitar embates com os demais candidatos. Seus aliados avaliam que, sem o presidente, os adversários poderiam se unir contra o candidato bolsonarista, dificultando a construção de uma eventual candidatura para o segundo turno. Por isso, a campanha pretende confirmar presença em um eventual segundo turno e pressionar pela participação de Lula.

Do outro lado, a campanha do presidente também trabalha com uma agenda reduzida de debates. Integrantes do comando de Lula afirmam que ele não pretende participar dos confrontos do primeiro turno, com exceção do debate da TV Globo, marcado para 1º de outubro, último antes da votação. Lula e Flávio também devem participar das sabatinas promovidas pela emissora, previstas para começar na próxima semana.

A ausência de Lula interessa particularmente aos demais candidatos do campo antipetista. Flávio, Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) disputam o eleitorado de direita e, em um debate sem outro candidato de esquerda, poderiam concentrar seus ataques no presidente. Para os aliados de Lula, essa perspectiva é justamente um dos motivos para restringir sua participação.

O primeiro teste dessa estratégia será o debate da Band, marcado para domingo (23). A emissora decidiu ampliar a lista de participantes com base no critério de “relevância política”, incluindo Zema e Renan Santos. A decisão, porém, não foi determinada pela legislação eleitoral.

Pela regra eleitoral, as emissoras são obrigadas a convidar candidatos de partidos que tenham elegido pelo menos cinco parlamentares para o Congresso Nacional em 2022. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu que a referência deveria ser a representação resultante daquela eleição, incluindo eventuais alterações decorrentes de novas totalizações até 20 de julho.

Com esse critério, o Novo e o Missão ficaram de fora da lista de partidos com participação obrigatória. O Novo elegeu três deputados federais em 2022, embora atualmente tenha cinco deputados e um senador. Já o Missão, criado oficialmente no ano passado, possui apenas um deputado federal.

A Band, entretanto, decidiu convidar os dois candidatos com base em sua avaliação de “relevância política”. A ampliação do debate acabou desagradando aos principais candidatos. Para Flávio e Lula, o problema é distinto, mas o efeito potencial é semelhante: a presença de mais adversários aumenta o número de atores interessados em confrontá-los.

Apesar da decisão de sua campanha de evitar o debate da Band caso Lula não participe, Flávio vem se preparando para os confrontos e para a entrevista que deverá conceder aos apresentadores do Jornal Nacional, da Globo, na próxima semana. O senador também deve participar da sabatina da emissora, que neste ano será exibida em um programa específico, imediatamente antes ou depois do telejornal.

A disputa pelo segundo turno ajuda a explicar a cautela das campanhas. Pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira (14) aponta Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, o levantamento mostra 43% para Lula e 40% para Flávio, resultado dentro da margem de erro e, portanto, de empate técnico.

Com a campanha eleitoral cada vez mais centrada na polarização entre Lula e o bolsonarismo, os debates se transformaram também em instrumentos de estratégia eleitoral. Para Flávio, a prioridade é evitar que outros candidatos da direita ocupem o espaço de oposição ao presidente. Para Lula, a questão é não oferecer aos adversários uma oportunidade de transformar um debate em uma sucessão de ataques ao governo.


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