Itália: estudantes e trabalhadores unidos em um movimento de massas contra o governo
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Itália: estudantes e trabalhadores unidos em um movimento de massas contra o governo

O outono na Itália é marcado por uma crescente tomada de consciência das gerações mais jovens e por sua mobilização nas ruas

Francesco Locantore 8 nov 2026, 07:25

Foto: Manifestação de estudantes italianos no último outubro. (OSA/Facebook)

Via International Viewpoint

Desde o início do ano letivo italiano, no começo de outubro, começaram ocupações em dezenas de escolas de Roma e Turim, que depois se espalharam por muitas outras cidades. Muitas dessas ocupações continuam em andamento ou estão começando neste exato momento. Os estudantes protestam contra a deterioração das escolas públicas, os prédios em estado precário, a falta de funcionários, a reforma que desvaloriza o ensino técnico, o decreto racista do governo que impõe um limite ao número de alunos estrangeiros por turma e a proibição do uso da burca e do niqab. Mas, desde o início, os protestos juvenis também têm se voltado contra questões mais amplas, como o alto custo de vida e as políticas belicistas e de rearmamento. A solidariedade à Palestina continua sendo uma das características marcantes da crescente consciência das gerações mais jovens, que já haviam feito ouvir sua voz nas ruas e por meio de greves no outono passado.

A greve geral convocada pela USB (Unione Sindacale di Base)e por outros sindicatos de base, juntamente com as manifestações de 30 de outubro, levou cerca de um milhão de pessoas às ruas em 70 cidades. A mobilização também atraiu muitos filiados à CGIL (Confederazione Generale Italiana del Lavoro) e outros trabalhadores, além de receber o apoio explícito da corrente “Le radici del sindacato” [“As raízes do sindicato”, em português] no interior da CGIL.

A iniciativa começou com trabalhadores dos portos europeus, que decidiram entrar em greve contra o comércio de armas, e depois foi ampliada para todas as categorias de trabalhadores sob a palavra de ordem: “Abaixem as armas, aumentem nossos salários!”. Muitos professores foram às ruas ao lado de seus alunos, assim como bombeiros, metalúrgicos, trabalhadores da antiga ILVA [siderúrgica], funcionários de diversas empresas em crise e trabalhadores do transporte — apesar das tentativas de obrigá-los a trabalhar no feriado de 1º de novembro. A greve de 30 de outubro conseguiu unir o protesto estudantil ao da classe trabalhadora, além de vincular as reivindicações contra a guerra e o rearmamento às preocupações com o aumento do custo de vida e a perda do poder de compra dos salários.

Em 30 de outubro, o governo Meloni apresentou ao Parlamento seu projeto de lei orçamentária, que prevê um investimento maciço em defesa, aproximando ainda mais a Itália da meta da OTAN de destinar 5% do PIB aos gastos militares. Tanto por ouvir a população que está nas ruas e as gerações mais jovens! O governo segue adiante com suas políticas antipopulares, destinando recursos insuficientes ao sistema de saúde. Está promovendo novos cortes no financiamento da educação e planeja reduzir ainda mais o número de funcionários, com a eliminação de aproximadamente 5 mil postos de professores e 2 mil postos de funcionários de apoio escolar, assistentes técnicos e administrativos. Não está reservando os recursos necessários para reajustar os salários do funcionalismo público de acordo com o custo de vida. Além disso, pretende obter recursos por meio da redução dos mecanismos de reajuste das aposentadorias vinculados à inflação.

Por outro lado, a única resposta do governo à mobilização social foi intensificar a repressão, aprovando mais um decreto de “segurança” que criminaliza menores de idade ao prever a detenção policial preventiva e concede carta branca às forças policiais e ao Exército.

Os partidos de direita que estão no governo parecem convencidos de que conseguirão vencer novamente as eleições graças à reforma inconstitucional do sistema eleitoral que conseguiram aprovar nas últimas semanas. Esse sistema destina 55% das cadeiras à coalizão que conseguir obter 42% dos votos, mantém a cláusula de barreira de 3% para o ingresso no Parlamento e quadruplica o número de assinaturas exigidas para a apresentação de uma lista eleitoral.

Eles não estão levando em conta a exasperação da população e a possibilidade de surgimento de um movimento de massas unificado da classe trabalhadora e das gerações mais jovens. Esse movimento continuará fazendo ouvir sua voz nas próximas semanas e terá um marco importante em 20 de novembro: a greve estudantil internacional convocada por diversas organizações europeias. Na mesma data, ocorrerão também a greve geral convocada pela CGIL e a greve dos trabalhadores do setor público e da educação convocada pela USB.


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