1 de maio é dia do TRABALHADOR e da TRABALHADORA e não do TRABALHO!
Tarsila do Amaral, "Operários", 1933

1 de maio é dia do TRABALHADOR e da TRABALHADORA e não do TRABALHO!

Que este 1 de Maio sirva para lembrar da força da classe trabalhadora unida e da necessidade da mobilização por um programa real de transformações para o país.

Luciana Genro 1 Maio 2018, 12:15

Parte da imprensa insiste em dizer que hoje é dia do trabalho. Não é. 1 de maio é dia do trabalhador e da trabalhadora, aquele(a) que produz, aquele(a) que é dono(a) apenas da sua força de trabalho e a vende para aqueles que são os donos das fábricas, empresas, bancos ou a vende para o Estado, no caso dos servidores públicos. Ou ainda a vende para outros indivíduos, no caso dos profissionais liberais. Trabalho é o resultado da atividade do trabalhador e da trabalhadora. A origem deste dia está, inclusive, historicamente vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, e a morte de oito operários em Chicago depois de uma greve violentamente reprimida.

Feita esta preliminar, é preciso dizer que os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil não têm o que comemorar neste 1 de maio. A última pesquisa do IBGE informa que o desemprego no país atingiu a marca dos 13,1% no primeiro trimestre deste ano. São 13,7 milhões de pessoas sem ocupação. É o índice mais elevado desde maio de 2017.

A situação dos desempregados é dramática e pode ser vista nas intermináveis filas em postos do SINE em todo o país. Em Porto Alegre um senhor chegou a desmaiar de fome após horas aguardando na fila por uma oportunidade de trabalho.

Vivemos tempos de reforma trabalhista no Brasil. O governo Temer foi responsável pelo maior ataque à CLT desde o fim da ditadura militar. Conquistas históricas da classe trabalhadora estão sendo distorcidas e flexibilizadas para atender aos interesses do mercado pós-crise capitalista de 2008. A receita neoliberal exige aumento da produtividade pela superexploração da força de trabalho.

Por isso precisamos observar não apenas os índices alarmantes de desemprego, mas também as condições em que se encontra o contingente de trabalhadores no Brasil. Há um verdadeiro exército de trabalhadores em condições absolutamente precárias no país. Pessoas que, diante da crise e da ausência de empregos, recorrem à informalidade para sobreviver. E trabalhadores que se submetem a subempregos formais com uma renda incapaz de fazer frente às suas necessidades mais básicas.

Em dezembro do ano passado o Brasil contabilizada 92,1 milhões de pessoas empregadas. Sendo que a maior parte – 34,2 milhões – era composta por trabalhadores informais. De acordo com o IBGE, foi a primeira vez na história que o número de pessoas sem carteira assinada superou o total de trabalhadores formais.

Os desafios colocados são imensos. É preciso uma reação forte diante de tantos ataques. A Greve Geral de abril do ano passado expressou a capacidade de mobilização e de resposta da classe trabalhadora numa conjuntura difícil. Mais de 40 milhões de pessoas fizeram o Brasil parar. Uma demonstração de que quando os trabalhadores se movem o sistema entra em colapso. Que este 1 de Maio sirva para lembrar da força da classe trabalhadora unida e da necessidade da mobilização por um programa real de transformações para o país.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.