Revelações do Intercept comprovam: Moro atuava de modo ilegal já antes de ser governo
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Revelações do Intercept comprovam: Moro atuava de modo ilegal já antes de ser governo

A justiça nunca é imparcial. É sempre uma justiça de classe.

Executiva Nacional do MES/PSOL 9 jun 2019, 22:33

A justiça nunca é imparcial. É sempre uma justiça de classe. A Operação Lava Jato começou revelando esquemas de corrupção envolvendo todos os partidos que governaram a Nova República. As relações entre PP, PMDB, PT, PSDB, PTB, DEM e as empreiteiras que controlam as obras públicas desde sempre, a começar pelo regime militar, foram desnudadas. Este é um fato. Mas as revelações logo começaram a mostrar mais a corrupção de uns em detrimento da de outros. A seleção passou rapidamente a ser determinada pelos interesses políticos da burguesia em sua tentativa de consolidar o afastamento do PT do condomínio do poder.

Quando Sérgio Moro aceitou ser ministro da Justiça de Bolsonaro, ficou evidente seu interesse político no caso e desmoronou qualquer hipótese de que tivesse sido um juiz imparcial. Ao contrário, ele atuou para tirar Lula da disputa presidencial e facilitar a eleição de seu atual chefe. Um chefe que, além de tudo, confessou que combinou com Moro a sua indicação a vaga no STF como compensação ao desgaste que teria ao aceitar o cargo de ministro. Uma ilegalidade atrás de outra. O processo eleitoral que levou Bolsonaro ao governo foi marcado por uma série de distorções e manobras, sendo a principal delas, como apontamos em nossos escritos à época, o impedimento de que o líder das pesquisas se apresentasse como candidato.

Por reconhecer o caráter de classe da justiça e seus interesses políticos, de nossa parte, embora sempre tenhamos condenado a opção do PT de governar com a burguesia e de ter adotado seus métodos, em nenhum momento aceitamos a prisão de Lula.

Agora, as revelações do Intercept mostram novas provas contundentes da ação combinada e ilegal entre procuradores e o juiz Sérgio Moro, que mostrou uma vez mais que não atuou como juiz mas, sim, como investigador e chefe de acusação.

Diante destes fatos gravíssimos, a população deve estar consciente de que não pode confiar nas instituições dominadas pela burguesia e deve se unir e se organizar para defender seus próprios interesses.

Como medida prática, impõe-se também a imediata libertação do ex-presidente Lula. Já há previsão sobre a progressividade de sua pena e a possibilidade de prisão domiciliar. Procrastinar acerca desse pedido da defesa do ex-presidente é confirmar a linha de perseguição política. A questão envolvendo a situação de Lula não diz respeito apenas aos seus partidários, mas a todos os interessados em defender as liberdades democráticas no país, constantemente ameaçadas pelo governo Bolsonaro.

Neste sentido, a defesa da liberdade de imprensa deve ser intransigente. E neste caso específico, além da liberdade de imprensa, reivindicamos a coragem que mostrou o Intercept ao revelar este material, coragem que deve servir de estímulo para todos.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.