Ainda é tempo de evitar a barbárie completa
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Ainda é tempo de evitar a barbárie completa

Perante o genocídio do povo palestino, o Brasil precisa romper relações com o Estado de Israel

Israel Dutra 26 maio 2025, 11:00

Foto: Demolição de edifícios palestinos em Rafah. (+972/Reprodução)

Como um pesadelo sem fim, após a ruptura unilateral dos acordos de cessar-fogo, as forças armadas do Estado de Israel prosseguiram sua ofensiva. Netanyahu, apoiado por Trump e pela extrema direita mundial, bloqueou por quase cem dias o envio de ajuda humanitária -, apenas liberando parcialmente após um mal-estar diplomático que levou a França, o Canadá e o Reino Unido a ameaçarem tomar medidas mais “duras”. O secretário-geral da ONU definiu como uma “pequena colher de ajuda” o gesto de Israel.

No começo da semana, a estimativa era de que mais de 14 mil bebês estavam em vias de morrer de inanição. Todas as linhas “vermelhas” foram cruzadas a serviço de duas estratégias: a desumanização do povo palestino e a chamada “Solução final”. que seria a ocupação física de Gaza.Na Cisjordânia, as milícias israelenses voltam à carga com atentados e ações contra a comunidade palestina.

É preciso parar a barbárie enquanto é tempo. Enquanto a Europa assiste atônita ao crescimento eleitoral da extrema direita, que logrou um avanço na eleição de Portugal, os governos seguem omissos com a principal ponta de lança do neofascismo atual: o genocídio palestino. É preciso denunciar a omissão e cumplicidade dos governos e seguir a solidariedade à luta do povo palestino.

A omissão deve ser denunciada

A solidariedade segue comovendo o mundo, como assistimos no Festival de Cannes – onde tivemos manifestações variadas de 350 personalidades condenando o genocídio, Julian Assange aparecendo com uma camiseta com o nome de milhares de crianças palestinas mortas e mesmo a cultuada atriz Cate Blanchett usando o tapete vermelho para reproduzir a bandeira palestina.

Todas as semanas temos protestos multitudinários no mundo, nos cinco continentes. No último sábado, foram quase centenas de milhares de pessoas às ruas de Londres. E na mesma semana, uma concentração com quase 10 mil pessoas pediu o embargo militar total contra o Estado de Israel. Ações como a de trabalhadores portuários que bloqueiam o envio de navios, entre outras iniciativas mundiais de solidariedade seguem fazendo parte do cotidiano.

Contudo, há uma verdadeira omissão por parte dos principais governos do planeta. É inaceitável a postura dos principais governos europeus. Macron faz tímidas críticas a Netanyahu enquanto reprime e ilegaliza movimentos de apoio à causa palestina dentro da França. Starmer toma palavras para exigir a entrada de ajuda humanitária, mas não vai além disso.

O “pânico moral” de governos do Ocidente foi denunciado de forma corajosa por Ilan Papé em seu último artigo quando fala que “a falta de um mínimo de compaixão e solidariedade para com as vítimas do genocídio foi exposta pelos padrões duplos demonstrados pela grande mídia do Ocidente, especialmente pelos jornais mais prestigiados dos Estados Unidos, como o New York Times e o Washington Post.”

Mas a falta de solidariedade não atinge apenas a Europa. É lamentável o papel que cumprem grandes potências – políticas, comerciais e militares – que, por vezes, são tomadas como concorrentes da política do imperialismo estadunidense, como a Rússia e a China. A Rússia tomada pela ofensiva para dividir a Ucrânia com Trump é incapaz de tomar gestos concretos para parar o genocídio. A China mantém sua postura dúbia, condenando por vezes, nos marcos das resoluções da ONU, mas não utilizando seu peso global para ajudar a dar fim ao massacre.

Esse cenário precisa mudar, pois cresce a solidariedade à medida que também crescem os traços mais nefastos de barbárie e desumanização completa da agressão contra Gaza.

O Brasil pode fazer mais: pela ruptura de relações e embargo comercial

A África do Sul foi o país que melhor postura teve no cenário internacional. Levou Netanyahu ao banco dos réus do TPI e faz a ressonância da denúncia do genocídio desde seus primeiros dias. O país cujo povo sofreu e venceu pela própria luta o regime de Apartheid sofre retalaliações da dupla Musk e Trump, que buscam espalhar fakenews. Trump o fez diretamente com o presidente Ramaphosa falando sobre um suposto “genocidio” contra brancos. Tais mentiras históricas são para justificar a reabilitação dos supremacistas que pediram exilio e promover um show da extrema direita, justamente quando um genocidio real está em curso na Palestina.

A Colômbia de Petro também foi altiva, denunciando em diversas ocasiões o massacre em andamento.

Lula corretamente definiu o que está acontecendo em Gaza como um genocidio. Contudo, isso não basta para uma ação efetiva. É preciso passar das palavras aos fatos. O governo não pode seguir com seus acordos comerciais, como o envio de petróleo e combustível, bem como as parcerias no terreno militar e de inteligência. É uma situação de completa anormalidade. É preciso parar de qualquer forma a atual etapa do plano de ‘solução final’ que quer destruir a Palestina. As organizações da esquerda brasileira devem exigir imediatamente uma mudança de postura de Lula.

Temos colocado enfase na defesa do povo palestino como um ponto estratégico e primeiro de qualquer enfrentamento sério contra a extrema direita. Os sionistas buscam atacar nossas figuras e lideranças como fizeram com Luana Alves – que teve uma imediata nota de solidariedade organizada por coletivos judaicos que se opõem ao massacre. No exterior, a IV Internacional segue com iniciativas junto às outras organizações para manter no front político o apoio ao povo palestino. Nos Estados Unidos, as recentes formaturas universitárias foram transformadas em comícios em defesa de Mahmoud Kalil, da autonomia universitária e dos estudantes em prol da Palestina.

Ainda há tempo e disposição para parar a mão da barbárie e do genocidio.


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