Manuela reúne esquerda gaúcha em ato de força para 2026
Ao lançar plataforma de mobilização, pré-candidata ao Senado reuniu lideranças históricas do campo progressista, embalada por pesquisas favoráveis no Rio Grande do Sul
Fotos: Tatiana Py Dutra/Esquerda em Movimento
A pré-candidata ao Senado Manuela d’Ávila (PSOL) transformou um ato político realizado no último sábado, em Porto Alegre, em uma demonstração de força da esquerda gaúcha para a disputa de 2026. Reunindo lideranças históricas do campo progressista, parlamentares, militantes e movimentos populares, o evento marcou o lançamento da plataforma “Agora é com a gente”, ferramenta criada para organizar a mobilização digital e territorial da campanha.
O ato reuniu toda a chapa majoritária da frente de esquerda no estado. Estiveram presentes a pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul Juliana Brizola (PDT), o pré-candidato a vice-governador Edegar Pretto (PT) e o deputado federal Paulo Pimenta (PT), que disputará a segunda vaga ao Senado na aliança progressista.
Também participaram candidatos à Câmara dos Deputados, à Assembleia Legislativa e dirigentes partidários de diferentes legendas do campo progressista, reforçando o discurso de unidade diante do avanço da extrema direita no estado. A presença de figuras históricas da esquerda gaúcha deu peso simbólico ao encontro. O ex-governador Olívio Dutra e o também ex-governador Tarso Genro foram recebidos sob aplausos e celebrados como referências de uma tradição política ligada à defesa da democracia, dos direitos sociais e da soberania nacional.
Performance e palavra
A entrada de Manuela no palco deu o tom do evento. Usando luvas de boxe e ao som de “Eye of the Tiger”, trilha clássica da franquia “Rocky Balboa”, a ex-deputada associou sua campanha a uma “luta de ideias” contra a extrema direita e em defesa de pautas populares.
“Luta contra a extrema direita. Luta pela democracia, pela ciência, luta pelo SUS, luta pelo Brasil, luta pelo Rio Grande, luta pela paz, luta pelas crianças, luta pela creche, luta pelo fim de todas as guerras, luta pela soberania nacional, luta pelas mulheres, pelas meninas, pelas pessoas negras, pela juventude”, afirmou ao entrar no palco simulando golpes de boxe.
Manuela explicou que a plataforma “Agora é com a gente” funcionará como espaço de articulação entre militantes, voluntários e candidaturas da coligação de esquerda no estado. A ferramenta permitirá acompanhar agendas de campanha, organizar atividades de rua, compartilhar materiais, arrecadar doações e integrar apoiadores em uma mesma rede política. A pré-candidata ainda ressaltou a necessidade de ampliar a presença popular e enfrentar a estrutura construída pela extrema direita nas redes sociais e nos territórios.
“[É para ajudar] as voluntárias e voluntários a mobilizar no seu bairro, na sua comunidade, a defender as nossas ideias nas redes, construir ações na rua, em cada rua de cada uma das comunidades, de compartilhar materiais, de transformar indignação e sentimento em ação política. Porque a extrema direita construiu uma máquina. E a gente, a gente que está aqui, vai construir uma comunidade”, declarou.
A ex-deputada também enfatizou que a estratégia da esquerda para 2026 dependerá da atuação coletiva e da mobilização popular permanente.
“Ninguém vai vencer a extrema direita sozinho. Ninguém. Lula precisa de nós, Juliana Brizola e Edegar Pretto precisam de vocês, eu e o Pimenta e os nossos deputados precisamos de vocês.”, afirmou.
A força da parceria
Em um discurso bastante aplaudido, Paulo Pimenta destacou a importância estratégica da disputa pelo Senado e defendeu o voto casado entre as candidaturas progressistas – lembrando de episódios de eleições anteriores em que candidaturas da esquerda lideravam as pesquisas, mas acabaram derrotadas pela dispersão do chamado “segundo voto” ao Senado. Segundo ele, a estratégia da coligação será atuar de forma integrada para evitar nova fragmentação do campo progressista.
“Essa eleição do Senado é onde boa parte da democracia está sendo disputada. Na última eleição em que concorriam dois candidatos [ao Senado}, na reta final, a Dilma estava em primeiro em Minas, o Lindbergh no Rio, o Suplicy em São Paulo, o Requião no Paraná, Fogaça aqui, o Zeca do PT no Mato Grosso do Sul. E por que nenhum desses nossos companheiros e companheiras se elegeu? Porque faltou o segundo voto. O segundo voto foi para o adversário. E na hora que abriram as urnas, todos que estavam liderando ficaram de fora, porque faltou o segundo voto. Nós não vamos errar de novo. Lá em São Paulo, está a Simone Tebet e a Marina. Em cada estado nós vamos ter um companheiro, uma companheira, uma chapa. Vamos trabalhar como uma chapa. E quem vota Pimenta, vota Manu. Quem vota Manu, vota Pimenta. E nós vamos conquistar essas duas vagas para ajudar o Lula a defender a democracia e a soberania.”
Liderança nas pesquisas
O evento ocorreu em um momento favorável para a esquerda nas pesquisas eleitorais no Rio Grande do Sul. Segundo levantamento Genial/Quaest divulgado no mês passado, Manuela lidera a corrida ao Senado com 14% das intenções de voto. Ela aparece à frente do ex-governador Germano Rigotto (MDB), que soma 12%.
Na sequência aparecem Paulo Pimenta e o deputado bolsonarista Marcel van Hattem (Novo), ambos com 9%. Já o deputado Ubiratan Sanderson (PL), outro nome ligado ao bolsonarismo, registra 7%.
A disputa pelo Palácio Piratini também mostra crescimento do campo progressista. Juliana Brizola aparece na liderança com 24% das intenções de voto, numericamente à frente do deputado bolsonarista Luciano Zucco (PL), que tem 21%. Considerando a margem de erro, os dois estão tecnicamente empatados no primeiro turno.
Nos cenários de segundo turno, porém, a vantagem da pedetista se amplia. Juliana registra 35% contra 27% de Zucco. Em outro cenário, ela também supera o vice-governador Gabriel Souza (MDB), aparecendo com 35% ante 17% do emedebista.
O desempenho nas pesquisas fortalece a avaliação, dentro da esquerda gaúcha, de que a unidade entre PT, PDT, PSOL e movimentos sociais pode recolocar o campo progressista no centro da disputa estadual após anos de hegemonia conservadora no Rio Grande do Sul.








