Um olho na Copa, outro na política
Somente com mobilização derrotaremos a extrema direita nas ruas e nas urnas, num cenário onde uma das poucas certezas é a polarização. A bola está conosco.
Foto: Torcida da seleção brasileira. (TV Globo/Reprodução)
As torcidas do mundo estão com os olhos vidrados na Copa. No Brasil, tido como um “país do futebol”, não é diferente.
A verdade é que a Copa também é um espelho das enormes contradições que vive o mundo. Um governo de extrema direita na principal potência imperialista busca aplastar os povos do mundo e comanda a repressão do ICE contra os imigrantes. E esse mesmo governo, de Trump, acaba de aceitar um acordo que expressa o tamanho de sua derrota na investida contra o Irã. Na Copa, a seleção do Irã talvez seja aquela que mais carrega as contradições desse período, ao ser hostilizada e ter que mobilizar até o presidente da FIFA, Gianni Infantino, para justificar-se diante do seu elenco.
A interferência e a polarização são as marcas do cenário latino-americano e, após sua derrota no Oriente Médio, Trump se volta com ainda mais força contra nosso continente.
O assustador cerco sobre Cuba, o discurso acerca do “narcoterrorismo” e a presença ativa nas eleições e processos recentes na América do Sul são os sintomas desse novo tempo. Os resultados apertados e contestados das eleições de Colômbia e Peru indicam maior polarização com a extrema direita e que Trump fará de tudo para derrotar Lula. A solidariedade yankee com o governo repressor de Paz no recente levante popular na Bolívia expressa outra frente de uma mesma estratégia.
Apesar de termos certa noção de que a Copa “pausa” um pouco o cenário político, também no Brasil o “jogo segue” em andamento.
O jogo da escala 6×1 e a retranca dos patrões
A vitória definitiva na aprovação do fim da escala 6×1 depende da votação no Senado. E por lá se mobilizam para travar e/ou desidratar o que já foi aprovado pelos deputados. A ação desesperada dos patrões para buscar barrar o projeto tem sua vanguarda nos porta-vozes do bolsonarismo, como Rogério Marinho.
Entretanto, a força da pauta segue marcando o terreno na sociedade, em que pese a impressionante paralisia das principais direções das grandes centrais sindicais.
É necessário seguir a pressão, debatendo e engajando as bases da sociedade de forma inclusive e criativa. Alentando a necessidade de um plano de lutas, tendo o exemplo dos setores mais combativos, como a CSP Conlutas e a Intersindical, vem levantando. Um dia de lutas e paralisações para a votação do Senado seria o ideal. O próximo dia 30 de junho é uma data articulada pelo conjunto dos movimentos, a partir do VAT, e deve ser um ponto de apoio para às mobilizações.
Enquanto isso, em Brasília
A noticia que repercutiu nos últimos dias foi a revelação da Polícia Federal sobres as suspeitas de envolvimento de Jaques Wagner nos escândalo do Banco Master, que hoje abala a República. As acusações são instrumentais para a extrema direita e desnudam os setores mais corruptos do PT, quer não por acaso são também seus setores mais à direita. Além das denúncias contra si, é isso que Wagner e seu grupo no governo da Bahia representam: o setor do PT que privatiza empresas públicas, aprofunda o genocídio da juventude negra periférica e se alia ao criminoso estado sionista.
Wagner se soma ao time dos “amigos de Vorcaro”, que nessa semana chegou à Hugo Motta e Alcolumbre, com suas altas contas de hotéis luxuosos sendo pagas pelo banqueiro corruptor.
O PSOL está fora deste e de qualquer esquema de corrupção, sendo um partido que tem sua história marcada pela probidade e pela luta contra a corrupção. Nesse momento crítico, o partido deve se posicionar de forma contundente e pedir não só o afastamento de Wagner das funções de liderança do governo (que deve ser o cenário mais provável), como também a continuidade das investigações para desvelar todos os crimes cometidos por Vorcaro e seus asseclas.
A direita utiliza esse flanco exposto na campanha de Lula para desgastar o presidente e tentar inverter a narrativa, como se o escândalo do Bolsomaster tivesse origem no PT. É uma tentativa frágil, afinal as relações do próprio Flávio Bolsonaro e de aliados próximos com Vorcaro já estão muito expostas e tendem a ser reveladas ainda mais por futuras investigações. Mas derrotar essa narrativa exige, antes de tudo, tenacidade por parte do governo contra qualquer suspeita de corrupção, e hoje isso passa diretamente pela saída de Wagner da liderança no Congresso.
Apostar na força do “nosso time”
A força da nossa “equipe” é a unidade de toda classe trabalhadora como se demonstrou na força da pauta pelo fim da escala 6×1. A pauta segue parada no Senado enquanto Alcolumbre também surge entre os suspeitos do caso Master, e somente com pressão popular será levada adiante, materializando o que pode ser a maior vitória econômica da classe trabalhadora brasileira em décadas.
E junto a isso reforçar a campanha eleitoral – que combina a tarefa unitária de votar por Lula para conter o retorno da extrema direita com a necessidade de fortalecer uma ala anticapitalista consciente, uma esquerda independente que não teme em dizer seu nome, materializada a partir do campo da esquerda do PSOL. Os atos que estão sendo feitos, de lançamentos e debates de pré-candidaturas tem movido milhares de ativistas ao redor dessas batalhas, a partir dos candidatos e figuras públicas do MES e seus aliados.
Tal qual uma Copa onde, apesar do peso dos grandes capitalistas, há um sentimento de coletividade e torcida – onde disputamos o sentido comum da soberania nacional – em um cenário político marcada por giros bruscos. Apostamos em unir a classe trabalhadora a favor de seus interesses, a partir de agendas de maioria social – sendo a luta pelo fim da 6×1 a principal – mas também a defesa do Pix, da taxação das grandes fortunas, do serviço público, entre muitas que separam projetos e nos colocam tarefas.
Somente com mobilização derrotaremos a extrema direita nas ruas e nas urnas, num cenário onde uma das poucas certezas é a polarização. A bola está conosco.