Flávio vai aos EUA tentando recuperar popularidade
Intervenção casuísta do aliado de Trump pediu adiamento do tarifaço para depois das eleições
Foto: Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA. (Fernando Pessoa/Divulgação Flávio Bolsonaro)
Enfrentando uma série de turbulências em sua campanha eleitoral, o candidato presidencial da extrema direita, Flávio Bolsonaro, viajou aos Estados Unidos para participar de audiências públicas sobre as relações comerciais com o Brasil convocadas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês).
Acossado nos últimos meses pelas revelações de seu relacionamento com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, Flávio foi duramente criticado por Michelle Bolsonaro em vídeo publicado no final de junho e teve a situação ainda mais complicada com o novo tarifaço de Trump. No mais recente ataque estadounidense contra a soberania brasileira, o governo do país propôs sobretaxar uma série de produtos exportados pelo Brasil em mais 25%.
Entre as justificativas de Trump para o novo tarifaço estariam o Pix, sistema gratuito de pagamentos eletrônicos que competiria com grandes operadoras financeiras, e ações do governo brasileiro contra as big techs, demonstrando mais uma vez o comprometimento da administração trumpista com a manutenção e ampliação dos lucros destas enormes empresas.
Em uma intervenção que durou somente 5 minutos, o bolsonarista declarou que o tarifaço contra o Brasil está sendo aplicado “no pior momento” e seria uma “premiação” para o presidente Lula, que busca a reeleição contra um Flávio apoiado abertamente por Trump. No mesmo sentido, seu principal pedido não foi o cancelamento das tarifas, mas seu adiamento para depois da eleição presidencial de outubro, demonstrando o casuísmo de seu movimento.
Na audiência, Flávio foi acompanhado pelo irmão Eduardo, deputado cassado que vive nos EUA em fuga da justiça brasileira e foi curiosamente cortado da foto pela equipe de comunicação do candidato. É importante lembrar que o mesmo Eduardo foi um dos grandes entusiastas do primeiro tarifaço de Trump, em uma movimentação que saiu pela culatra e acabou fortalecendo Lula no ano passado
Após o fim da audiência, o candidato reacionário declarou que continuará nos EUA tentando derrubar as tarifas, abrindo suspeitas sobre uma possível “jogada ensaiada” com o governo norte-americano. Entretanto, sua enorme subserviência à Trump está amplamente registrada e parece apenas que tais esforços terão dificuldade em reverter sua queda de popularidade, ainda mais em um momento no qual surgem novas evidências de seu papel no escândalo do Bolsomaster.
Tal cenário não significa que as próximas eleições serão simples. A situação política brasileira segue polarizada e tudo pode acontecer até um segundo turno que certamente acontecerá. Então resta saber quais serão os movimentos de Lula para consolidar sua posição dianteira.