O G7: a ordem imperialista sob a liderança de Trump
0617_OG7_group_LEDE

O G7: a ordem imperialista sob a liderança de Trump

Realizada à sombra de Donald Trump, a cúpula do G7 serviu, acima de tudo, para confirmar o alinhamento das potências ocidentais com os interesses estratégicos e energéticos dos EUA

William Donaura 11 jul 2026, 10:09

Foto: Encontro do G7 em 2026, na França. (Julia Demaree/CCM)

Via International Viewpoint

“Eu sou quem manda”, declarou Donald Trump na abertura do G7. Ele poderia muito bem ter repetido isso na sessão de encerramento, tal foi o grau de alinhamento desta cúpula com os interesses estratégicos e energéticos dos EUA.

Declarações tranquilizadoras e silêncios ensurdecedores

Além da declaração geopolítica central, o G7 resultou na assinatura de oito declarações de princípio sobre: a luta contra o câncer, a necessária “resposta coordenada à epidemia de ebola”, “parcerias internacionais mutuamente benéficas”, “cadeias de abastecimento de minerais críticos” (leia-se: o “desacoplamento” das economias industrializadas da China), “crescimento mais equilibrado, sustentável e resiliente”, “tráfico de migrantes”, “tráfico de drogas” e “um espaço digital mais seguro para menores”. As mudanças climáticas e o declínio da biodiversidade estão notavelmente ausentes dessa litania tranquilizadora do “mundo maravilhoso” da elite dominante. Naturalmente, não há menção alguma à revogação da propriedade privada de medicamentos, à eliminação gradual dos combustíveis fósseis ou à satisfação das necessidades sociais…

A declaração geopolítica resume as principais questões discutidas nesta cúpula do G7: Ucrânia, Oriente Médio e região do Indo-Pacífico, para as quais endossa a presença militar dos EUA e reitera os clichês de sempre sobre a Coreia do Norte e suas armas nucleares.

Acordo geopolítico às custas do povo

Sobre a Ucrânia, afirma: “Nós, os líderes do G7, estamos unidos em nosso apoio inabalável à Ucrânia na defesa de sua liberdade, soberania e integridade territorial”, e promete tanto aumentar os fornecimentos — e a produção local — de sistemas de defesa aérea e mísseis de longo alcance, quanto restabelecer as sanções contra a Rússia relativas ao gás e ao petróleo, que haviam sido suspensas durante o bloqueio do Estreito de Ormuz. Os países também chegaram a um acordo sobre a reconstrução da infraestrutura energética…

A cúpula serviu de oportunidade para endossar a narrativa de Trump sobre o “magnífico” acordo assinado com o Irã: “O anúncio de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã, garantido sob a forte liderança do presidente Donald Trump (…) oferece uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira armas nucleares. ” Esse apoio foi dado mesmo que os detalhes do acordo ainda não tenham sido finalizados e, ao já marcar inúmeros reveses para o governo dos EUA, sinaliza o fracasso da guerra travada pelos Estados Unidos.

Seja qual for o resultado das negociações sobre o acordo entre os EUA e o Irã, será necessário garantir um papel na reconstrução do país e, portanto, cultivar relações com o imperialismo norte-americano hoje. É isso que a França tem tentado fazer ao destacar a “Operação Ormuz”, que co-lidera com o Reino Unido.

Quanto ao Líbano, o texto afirma seu apoio — uma ilusão — à integridade territorial do Líbano (sic), a um cessar-fogo “robusto” (re-sic), mas apenas como meio de possibilitar o desarmamento do Hezbollah… Ele condena a “violência” na Cisjordânia e promete mais ajuda humanitária a Gaza. É claro que o texto nunca menciona o Estado de Israel…

Assim, segundo Macron, esta cúpula “foi um momento de unidade, de discussão de alta qualidade e de cooperação genuína entre os líderes aqui reunidos. Esta cúpula, de fato, nos permitiu coordenar-nos muito estreitamente para responder às crises e trabalhar nos grandes desafios de nosso tempo”.

Uma demonstração tão belas de harmonia só pode nos causar arrepios, pois é sempre alcançada às custas do povo…


TV Movimento

Revista Retomada estreia com debate sobre fascismo

Em entrevista para a TVT, Vladimir Safatle fala sobre a nova revista Retomada, publicada em iniciativa conjunta do MES-PSOL, intelectuais e artistas da esquerda socialista

Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista na Conferência Antifascista

Atividade de Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista, organizada pela IV Internacional durante a 1ª Conferência Internacional Antifascista, ocorrida em Porto Alegre entre os dias 26 e 29 de março de 2026

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre
Editorial
Israel Dutra | 18 set 2026

AntiBolsonaro – a batalha da reta final

Todos os esforços devem estar concentrados para derrotar Flávio Bolsonaro e fazer avançar o PSOL como ferramenta necessária para enfrentar a extrema direita e mudar o Brasil
AntiBolsonaro – a batalha da reta final
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça a Revista Retomada!
A Revista Retomada é uma publicação trimestral produzida pelo Movimento Esquerda Socialista (MES-PSOL) em articulação com intelectuais, militantes e artistas
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
A Revista Retomada é uma publicação trimestral produzida pelo Movimento Esquerda Socialista (MES-PSOL) em articulação com intelectuais, militantes e artistas

Autores