Thiago e Saif foram libertados, diz Israel
Thiago Avila

Thiago e Saif foram libertados, diz Israel

Detidos em águas internacionais durante missão humanitária rumo a Gaza, militantes foram sequestrados e mantidos em prisão de seurança máxima por uma semana

Foto: Freedom Flotilha Coalition/Instagram

Presos desde o fim de abril, após serem interceptados por forças israelenses em águas internacionais, o ativista brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek foram libertos e deportados neste domingo (10), informou o governo de Israel. A medida encerra mais um episódio de forte repercussão internacional, pressão diplomática, mobilização de organizações de direitos humanos e manifestações de governos e entidades internacionais.

Segundo agências internacionais, Thiago e Saif foram levados para o Egito. O brasileiro estaria abrigado na Embaixada do Brasil, no Cairo, com previsão de retorno para esta segunda-feira (11).

Os ativistas integravam a flotilha humanitária Global Sumud, formada por militantes de diversos países com o objetivo de romper simbolicamente o bloqueio israelense sobre Gaza e entregar ajuda humanitária à população palestina. A missão partiu da Itália e reunia dezenas de participantes, incluindo brasileiros, espanhóis e ativistas árabes. Segundo relatos das organizações envolvidas, o grupo carregava suprimentos básicos destinados a civis submetidos a meses de bombardeios, fome e destruição.

Israel justificou a prisão alegando que os ativistas realizavam “atividade ilegal” e classificou a missão como uma “flotilha de provocação”. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores israelense afirmou que “Israel não permitirá qualquer violação do bloqueio naval legal a Gaza”. Já Saif Abu Keshek chegou a ser acusado pelas autoridades israelenses de ligação com “grupo terrorista”, acusação negada pelos ativistas e contestada por entidades de direitos humanos.

A prisão provocou reação imediata de governos e organismos internacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a manutenção da prisão de Thiago Ávila como “uma ação injustificável do governo de Israel”. A Organização das Nações Unidas também pediu a libertação imediata dos ativistas. Para movimentos de solidariedade internacional, a ampla repercussão mundial foi decisiva não apenas para garantir a libertação, mas também para preservar a integridade física dos presos.

A ONG israelense Adalah denunciou que os dois foram submetidos a isolamento total, iluminação intensa permanente e transferências com vendas nos olhos. Em nota, a entidade afirmou que “desde o sequestro em águas internacionais até a detenção ilegal em isolamento total e os maus-tratos a que foram submetidos, as ações das autoridades israelenses constituíram um ataque punitivo a uma missão puramente civil”.

A organização acrescentou ainda que “o uso de detenção, interrogatório e tortura contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”.

A chamada Flotilha Global Sumud faz parte de uma série de iniciativas internacionais que tentam furar o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza desde 2007. O cerco restringe severamente a entrada de alimentos, combustíveis, medicamentos, água potável e materiais básicos de reconstrução. Organizações humanitárias e agências da ONU denunciam há anos que o bloqueio transformou Gaza em uma crise humanitária permanente, agravada drasticamente pela atual ofensiva militar israelense.

Segundo entidades internacionais, milhões de palestinos enfrentam insegurança alimentar extrema, colapso hospitalar e falta de acesso a serviços essenciais. A destruição de infraestrutura civil, os ataques constantes e o controle rígido das fronteiras por Israel dificultam até mesmo a chegada de ajuda emergencial.

Thiago Ávila já havia participado de outras missões semelhantes e chegou a ser preso anteriormente por forças israelenses. Desta vez, ele integrava o comitê diretor internacional da flotilha. Após a deportação, o ativista brasileiro desembarcou no Cairo, no Egito, onde foi acolhido pela embaixada brasileira antes de retornar ao Brasil.

Para movimentos de solidariedade à Palestina, a libertação dos ativistas representa uma vitória parcial diante da pressão internacional crescente contra o bloqueio e contra as ações israelenses em Gaza. Ainda assim, organizações de direitos humanos afirmam que o episódio evidencia o endurecimento da repressão contra iniciativas civis de apoio ao povo palestino.


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