Enquanto adia fim da 6×1, Alcolumbre é acusado de ter recebido R$155 milhões de Vorcaro
Denúncias contra o presidente do Senado surgem ao mesmo tempo em que tramitação da PEC do fim da escala 6×1 segue parada
Foto: David Alcolumbre, presidente do Senado. (Waldemir Barreto/Agência Senado)
Semanas após o escândalo do Bolsomaster atingir diretamente a extrema direita e a campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro, novas revelações do caso podem agora se voltar contra o Centrão outra vez. Segundo reportagem da Veja de ontem (11/06), a nova proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro inclui evidências de um repasse de US$30 milhões (R$155 milhões) ao presidente do Senado, David Alcolumbre (União Brasil-AP).
Os pagamentos teriam sido feitos por Augusto Lima, então sócio de Vorcaro, em uma conta secreta no exterior e a operação estaria relacionada à investimentos milionários da Amprev (Amapá Previdência , fundo de previdência dos servidores estaduais) em títulos podres do Master. Na época, o órgão era comandado por Jocildo Silva Lemos, indicado por Alcolumbre e tesoureiro de sua campanha em 2022 que foi alvo de operação da Polícia Federal há quatro meses atrás.
Alcolumbre seria somente o próximo de uma sequência de líderes do Centrão atingidos pelo Bolsomaster. Há mais de um ano atrás, Ibaneis Rocha, ex-governador do DF, já era denunciado pelo deputado distrital Fábio Felix (PSOL-DF) por irregularidades na proposta de compra do Master pelo banco brasiliense BRB, operação que foi barrada pelo Banco Central. Recentemente, também foram reveladas relações de Vorcaro com Cláudio Castro, ex-governador do RJ, com inúmeros indícios da pagamentos de propina à Castro em troca de transferências feitas ao Master pela estatal de saneamento Cedae e pelo Rioprevidência, o fundo de previdência dos servidores públicos do estado.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP e um dos principais articuladores políticos do governo de Jair Bolsonaro, também é investigado pela Polícia Federal por atuar em favor de interesses do banqueiro no Congresso em troca de R$500 mil mensais. E vale lembrar que a figura mais exposta pelas revelações do Bolsomaster é o próprio Flávio Bolsonaro, que mentiu inúmeras vezes para ocultar sua relação próxima com Vorcaro e provavelmente ainda tem muito a esconder sobre o caso.
As informações surgem ao mesmo tempo em que Alcolumbre atua para atrasar ou distorcer o projeto de fim da escala de trabalho 6×1, travando a tramitação da PEC já aprovada na Câmara. Na semana passada, declarou que debateria a tramitação do fim da 6×1 na reunião de líderes do Senado, mas não convocou tal reunião. O próximo passo para o avanço da proposta seria seu envio para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas a reunião marcada com Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, também foi cancelada.
Por outro lado, Alcolumbre enviou à Comissão a chamada “PEC da Servidão”, proposta da extrema direita contra a redução da jornada que prevê um dos maiores ataques aos direitos trabalhistas da história através do modelo de pagamento por horas trabalhadas. Tal absurdo foi apresentado pelo senador e coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), e teve um tratamento rápido pelo presidente do Senado, ao contrário do fim da 6×1.
Segundo reportagem de hoje do UOL, Alcolumbre sinalizou a aliados que pretende seguir a tramitação da PEC da 6×1 na próxima semana. Pressionado pela opinião pública majoritariamente a favor do projeto e pelas novas suspeitas de corrupção, tais afirmações podem ser verdade, mas o cenário como um todo demonstra que somente com atenção e mobilização permanente o fim da 6×1 será aprovado. Da mesma forma, somente assim todos os corruptos envolvidos no Bolsomaster serão punidos. Do Congresso inimigo do povo não podemos esperar nada.