Convite ao Debate Organizativo para o PSOL/SC
Bandeiras do PSOL. Reprodução

Convite ao Debate Organizativo para o PSOL/SC

Elementos para um debate de organização partidária, compartilhados pela Regional de Santa Catarina do Movimento Esquerda Socialista com o conjunto da militância.

MES/SC 12 mar 2021, 17:37

Nossos inimigos dizem: A luta terminou.

Mas nós dizemos: Ela começou.

Nossos inimigos dizem: A verdade está liquidada.

Mas nós dizemos: Nós a sabemos ainda.

Nossos inimigos dizem: Mesmo que ainda se conheça a verdade

Ela não pode mais ser divulgada.

Mas nós a divulgamos.

É véspera da batalha.

É a preparação dos nossos quadros.

É o estudo do plano de luta.

É o dia antes da queda

De nossos inimigos.

Bertolt Brecht

  1. O PSOL não é um partido contemplativo. Atuamos como alternativa política de esquerda, disputando a influência de massas, como parte ativa de todas as lutas, seja organizando, apoiando, divulgando, ou prestando solidariedade, pois é a ação direta o palco privilegiado da construção de uma alternativa política e do partido.
  1. Em detrimento do nosso peso relativo no movimento de massas, a ampliação do quadro de filiados ao PSOL/SC e a construção de candidaturas com conteúdo e ação vinculadas às lutas do povo, coloca o nosso partido como um depositário da esperança catarinense, cujo declínio do petismo abre um flanco extraordinário para a consolidação do PSOL. Entretanto, o PSOL Catarinense ainda tem pouca musculatura para figurar como a principal referência da esquerda: são 25 Diretórios Municipais, em funcionamento; e, somos quase 3 mil filiados em 115 municípios, porém 40% deles em Floripa e Joinville.
  1. A dificuldade na fixação das instâncias oficiais, para além da Grande Floripa, com exceção de alguns pólos regionais, deve ser compreendida em razão das demasiadas exigências da burocracia do Estado, somado à ausência de um trabalho coletivo dos campos políticos (compostos no 6º Congresso e seu desgaste ao longo do mandato), assim como a distância política entre o diretórios estadual e nacional, causando desarticulação e ruídos entre as diversas instâncias partidárias e a sua militância. Ato contínuo, acarreta na falta de organicidade do partido, no qual as filiações não necessariamente se traduzem em militância, afora as dificuldades objetivas, como as distâncias e a reduzida frequência dos fóruns partidários, colocam grandes desafios ao enraizamento do PSOL/SC.
  1. A despeito dos obstáculos estruturais, o PSOL/SC tem respondido com algum sucesso aos importantes desafios eleitorais impostos pelo sistema. Nossa localização política e influência eleitoral têm demonstrado nossa potencialidade, para um papel objetivo na mudança da realidade. A recente composição da Regional SC do Movimento Esquerda Socialista e de outras correntes políticas, mesmo nas limitadas e adversas condições da pandemia da SARS-COVID-19, são demonstrações da pujança do partido.
  1. Reconhecemos, enquanto elos fundamentais de lutas diversas, valorosas companheiras e companheiros atuantes no PSOL/SC, não organizadas em correntes políticas. Protagonizando o enfrentamento aos aparatos burocráticos do movimento de massas e construindo o partido como uma ferramenta de luta, muito mais do que uma legenda eleitoral, em diversos pontos do estado.
  1. Identificamos e respeitamos as diferenças à nossa forma de atuação, primando pela unidade de ação no PSOL/SC, para impulsionarmos o partido como uma alternativa capaz de disputar a influência de massas, elemento essencial para alcançarmos o principal objetivo programático do PSOL em sua fundação: a conquista de um governo dos trabalhadores e do povo.
  1. Enquanto corrente fundadora do PSOL, atuamos sobretudo para o êxito do partido, por isso, impulsionamos debates e ações conjuntas, para traduzirmos essa pujança do PSOL Catarinense em peso orgânico. Entendemos que é possível superarmos as dificuldades objetivas de organização partidária, ao longo do litoral e no interior de SC, dialogando com os diferentes tempos, realidades e diversidade da militância, para ampliarmos o alcance do partido com consistência, a partir dos eixos: formação política e democracia partidária.
  1. A imprevisibilidade do calendário para realização do 7º Congresso do PSOL, em razão da pandemia, não pode ser motivo para retardar a implementação de um vigoroso programa de formação política, voltado para o suporte teórico e calcado na realidade local, impulsionando nossa atuação nas frentes e nas lutas, instrumentalizando o partido para vencermos os obstáculos burocráticos, na manutenção das instâncias. Estamos dispostos a realizá-lo e acreditamos haverem parcerias indispensáveis em diferentes setores do partido.
  1. É necessário um debate com as diferentes expressões do PSOL/SC, para pensarmos coletivamente a reestruturação e a criação de novas instâncias partidárias:
  1. a. Nosso crescimento em expressão política está intrinsecamente ligado ao surgimento de novas organizações internas, agrupamentos informais e lideranças regionais, portanto, queremos debater a ampliação do Diretório Estadual, viabilizando a representação da variedade de opiniões não necessariamente contempladas no espectro das correntes políticas formalmente estabelecidas; e,
  1. b. As características e as diferenças regionais de Santa Catarina, exigem mecanismos que permitam a presença do partido em todo o território, por isso, um formato de organização mesorregional, ou regional, precisa ser elaborado. Apesar das restrições estatutárias para a conformação dessas instâncias formalmente é viável, pelo menos, o estabelecimento de fóruns para articulação no nível regional, enquanto política consequente, planejada e acompanhada do Diretório Estadual.
  1. O aprimoramento da democracia partidária, também se estabelece na frequência de fóruns permanentes e abertos do partido. Enquanto não for possível pactuarmos e viabilizarmos no âmbito partidário, manteremos a realização de Plenárias Abertas do MES/SC, abrangendo temas conjunturais e estruturais e organizando campanhas como a “Vem ser PSOL”.
  1. Concretizar a potencialidade do PSOL/SC é elemento chave para gestarmos a mobilização popular, pois preparando nossos quadros políticos para enfrentamento ao sistema, a crise sanitária e econômica exige e exigirá ainda mais da nossa atuação.

Santa Catarina, Março de 2020


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.