Carta de entrada do Coletivo Autonomia Ecossocialista (CAES) como integrante do Movimento Esquerda Socialista (MES)

Carta de entrada do Coletivo Autonomia Ecossocialista (CAES) como integrante do Movimento Esquerda Socialista (MES)

O Coletivo Autonomia Ecossocialista (CAES) anuncia sua entrada no Movimento Esquerda Socialista (MES).

O Coletivo Autonomia Ecossocialista (CAES) é uma organização política que, desde o ano de 2020, constrói o PSOL no estado do Amazonas. Nossa história é a história da militância política de nossos membros fundadores: o professor Jonas Araújo, liderança histórica do movimento dos professores na cidade de Manaus, a professora Sílvia Moraes, força política e organizativa da cultura e do movimento antiproibicionista, o professor Francinézio Amaral, militante do movimento de professores do município e uma das lideranças da histórica greve dos professores da UFAM de 2012 e Macário Carvalho, professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) na cidade de Tefé, ativista do movimento cineclubista e sindicalista do interior do estado, e também de alguns amigos e simpatizantes de nossas propostas que já dispuseram em se somar ao nosso projeto.

A partir do ano de 2020, e depois de uma experiência muito difícil tentando construir política dentro de uma tendência que apresenta grandes dificuldades em respeitar a pluralidade e a divergências de ideias, resolvemos nos organizar em um coletivo autônomo dentro do PSOL-AM. Assim nasceu o Coletivo Autonomia Socialista, com o compromisso de promover relações políticas com ética e respeito. Também buscamos combater toda forma de autoritarismo e cerceamento de ideias e ações, onde quer que estas possam ameaçar a democracia. Nosso propósito é fazer uma construção política de modo verdadeiramente democrático e dialógico, inspirada em Paulo Freire e na resistência histórica da Cabanagem. Neste ano de 2021, mudamos de nome para Coletivo Autonomia Ecossocialista, apontando para a necessidade de aprofundar a discussão dessa temática e torná-la orgânica e integral a todas as nossas lutas e bandeiras.

O Coletivo Autonomia Ecossocialista (CAES) vem se construindo enquanto força política pautada na ética, no pluralismo de ideias, nos valores democráticos e na luta contra o capitalismo, a opressão, a violência, o racismo, o machismo, a lgbtfobia e as agressões ao meio ambiente. Com base na educação, enfatizando a importância da formação política, buscamos nos tornar o espaço capaz de aglutinar lideranças populares, professoras/es, intelectuais, artistas, ambientalistas e quem mais se interesse em construir conosco nosso maior objetivo: consolidar um projeto político abrangente, capaz de indicar diretrizes concretas que promovam justiça social para a sociedade amazonense.

Em se tratando do contexto de nosso partido, O PSOL-AM, de 2018 a 2021, vem passando por um intenso processo de reconstrução enquanto organização partidária. Nesse período, os maiores desafios têm sido a reorganização administrativa e o combate a grupos que se infiltraram e ainda tentam se infiltrar nas instâncias diretivas, visando o aparelhamento institucional. Tais grupos visam atender interesses particulares que atrapalham e estão alheios aos objetivos do partido de enquanto instituição socialista, plural e democrática que busca se construir como alternativa política e eleitoral para a cidade de Manaus e para o estado do Amazonas.

Ao longo deste ano, em meio aos processos de retomada das ações, após o recuo dos níveis de infecção pela pandemia do novo coronavírus, participamos ativamente da disputa pelos Diretórios Estadual e Municipal durante o 7º Congresso Nacional do PSOL, defendendo a Tese “Um PSOL Cabano” junto a um bloco regional formado por tendências nacionais e coletivos locais, que combateu a tentativa de se instalar o autoritarismo e a segregação em nossa agremiação e, apesar de todos os percalços, logramos êxito ao empatarmos a disputa estadual. Dessa forma, junto a esse bloco de forças políticas, assumimos a direção do primeiro ano da gestão do Diretório Estadual e compomos a diretoria do Diretório Municipal, sempre no combate a quaisquer anseios de quem queira ferir a democracia partidária.

Durante esse processo, percebemos que o cenário político interno requer de nós ainda mais empenho no processo de reconstrução do PSOL-AM e de sua consolidação enquanto alternativa realmente socialista e anticapitalista para a sociedade amazonense. Um exemplo disso, é que o partido cresceu em número de filiados e filiadas, contudo, nossa militância ainda apresenta desafios no que tange sua formação política, tarefa que ainda requer prioridade nessa agenda de reconstrução. Enquanto profissionais da educação, buscamos contribuir enfaticamente com essa tarefa.

Contudo, o tempo de maturação e consolidação necessário aos nossos planos e ações não puderam se sintonizar às urgências da reconstrução do nosso partido. Isso fez com que considerássemos a necessidade de nos articularmos de forma mais estruturada em nível estadual e nacional. Nesse processo, houve uma aproximação natural com a organização política com cujas características nos identificamos: as bandeiras de lutas históricas da esquerda socialista, a luta anticapitalista contra todas as formas de opressão, o compromisso histórico de pensar a Amazônia de forma endógena, e a construção efetiva de uma alternativa ecossocialista para a superação do modelo de desenvolvimento injusto, desumano e predatório que ameaça esta e as próximas gerações.

No decorrer desse processo, após algumas conversas preliminares, surgiu o convite para que o Coletivo Autonomia Ecossocialista (CAES) passasse a fazer parte de uma das principais tendências nacionais do PSOL, o Movimento Esquerda Socialista (MES). Fundadora do partido e que, historicamente, vem desenvolvendo um excelente e necessário trabalho de luta e manutenção dos princípios socialistas do partido. No Amazonas, o MES também esteve sempre na vanguarda da construção do PSOL e das lutas populares contra as oligarquias política e econômica, que maltratam nosso povo a cerca de quatro décadas. Destacamos a luta e o compromisso de nosso companheiro e amigo Luiz Fernando de Souza Santos (Presente, sempre!) e seu desejo de que a Amazônia fosse realmente nossa. Também é o nosso desejo e nossa luta, camarada!

Por fim, anunciamos com muita alegria e esperança que a partir desta data, o Coletivo Autonomia Ecossocialista – CAES passa a compor o Movimento Esquerda Socialista – MES e assim, contribuir com a ampliação e consolidação de suas estruturas no Amazonas e com nossas lutas e bandeiras comuns, na esfera nacional do PSOL. Que possamos, juntos e juntas, contribuir com a reestruturação do PSOL-AM, tornando-o uma realidade enquanto alternativa política e eleitoral de esquerda para a sociedade amazonense e derrotar o projeto de necropolítica da extrema-direita em nosso país.

Viva o Socialismo!
Viva o MES!
Viva o PSOL!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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Capa da última edição da Revista Movimento
Esta é a vigésima primeira edição da Revista Movimento, dedicada aos debates em curso do VII Congresso Nacional do PSOL. Nela encontram-se artigos de análise, polêmica e discussão programática para subsidiar os debates de nossos camaradas em todo o país e contribuir com a batalha pela pré-candidatura de nosso companheiro Glauber Braga à presidência da República pelo PSOL. A edição também conta com análises de importantes questões internacionais contemporâneas e de outros temas de interesse, como os desafios da luta pelo “Fora, Bolsonaro” e as crises hídrica e elétrica no Brasil. Num ano de 2021 ainda marcado pela tragédia da pandemia da Covid-19 e pelo descaso criminoso de governos em todo o mundo, lamentamos a perda de nosso grande camarada Tito Prado (1949-2021), militante internacionalista e dirigente de Nuevo Perú. A ele dedicamos esta edição de nossa revista e, em sua homenagem, publicamos artigos em sua memória. Boa leitura!