Sâmia cobra explicações sobre fim antecipado de mostra de funk
Deputada do PSOL questiona encerramento da exposição no Museu da Língua Portuguesa após denúncias de pressão da extrema direita e coloca mandato à disposição contra ataques à liberdade artística
Foto: Wesley Sabino
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) encaminhou ofícios à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e ao Conselho de Administração da IDBrasil, organização social responsável pela gestão do Museu da Língua Portuguesa, cobrando esclarecimentos sobre o encerramento antecipado da exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”.
Nos documentos, a parlamentar questiona os motivos que levaram ao fim precoce da mostra e afirma colocar seu mandato à disposição do museu caso a instituição esteja sofrendo “pressão típica de censura ideológica”. A iniciativa ocorre em meio a denúncias de que o encerramento teria ocorrido após ataques promovidos por setores da extrema direita.
A exposição foi encerrada em 31 de maio, embora estivesse prevista para permanecer em cartaz até agosto. Nos ofícios, Sâmia cita manifestações da curadora Renata Prado, que classificou a decisão como “um ato de censura” ocorrido “após a pressão pública exercida por agentes políticos da extrema direita”.
Em carta aberta divulgada nas redes sociais, a curadora afirma que a mostra recebeu cerca de 180 mil visitantes ao longo de seis meses, tornando-se uma das exposições temporárias mais visitadas da história recente do Museu da Língua Portuguesa. Para Sâmia, os relatos levantam preocupações sobre possíveis interferências políticas em um espaço que deveria garantir a liberdade de expressão e a valorização da cultura popular.
À Folha de S.Paulo, o Museu da Língua Portuguesa informou que o encerramento ocorreu em razão da montagem de duas novas exposições e afirmou que os seis meses de duração correspondem ao período médio das mostras temporárias da instituição. O governo do Estado de São Paulo não se manifestou sobre o caso.