Os crimes de Bolsonaro: É preciso julgar, punir e reparar
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Os crimes de Bolsonaro: É preciso julgar, punir e reparar

O genocídio contra o povo Yanomami exige reparação e justiça com a responsabilização de Bolsonaro e de seus aliados.

Israel Dutra 2 fev 2023, 19:00

Na segunda temporada da série “Hunters”, Hitler é julgado após ser capturado em seu esconderijo na Argentina. A série ficcional encena um hipotético julgamento do monstro do século, assim como foram julgados 11 nazistas em Nuremberg, na vida real.  Pinochet foi condenado no processo conduzido pelo juiz espanhol Baltasar Garzón, Alberto Fujimori está preso. Videla, Massera e Galtieri se sentaram no banco dos réus. Bolsonaro deve ter sua hora.

Impossível não se revoltar com as imagens dos Yanomami. Foram chocantes. Mortes, desnutrição, violência contra um povo originário.  Eis o legado de quatro anos de governo Bolsonaro, cúmplice dos garimpeiros, inscrevendo mais um capítulo no catálogo genocida.

 Bolsonaro deve ser extraditado imediatamente para ser julgado.

Um responsável com nome e sobrenome

O massacre dos Yanomami deve parar imediatamente. E os responsáveis devem pagar pelos seus crimes.

Os garimpeiros se beneficiam de um verdadeiro sistema de privilégios, que garante seus lucros e violência e conduz ao extermínio dos Yanomami. Como declarou em entrevista Davi Kopenawa, liderança dos yanomami, “mais de 570 crianças yanomami com menos de cinco anos morreram em consequência da contaminação por mercúrio do garimpo ilegal, da subnutrição, diarreia, doenças respiratórias e malária nos últimos quatro anos”.

As engrenagens que sustentam o garimpo são a base constitutiva do projeto bolsonarista. Envolvem esquemas de poder local, onde se estima que 70 mil garimpeiros atuam de forma ilegal, com relações escusas com poder público, omissão de esferas civis e militares. A expressão da impunidade atende pelo nome de Pedro Prancheta, empresário responsável por muitos dos garimpos.  Abrir as portas do inferno era o programa do ministro Salles quando “falava em passar a boiada”

Bolsonaro, ainda como deputado, tinha apresentado um projeto, em 1993, em conluio com madeireiros e mineradores, para pôr fim à demarcação da reserva Yanomami. Vem de longe a sanha de destruição, ódio e genocídio que marca a ação política bolsonarista.  

Os fatos novos que chegaram ao final dessa semana só corroboram a necessidade de seguir apertando o cerco aos responsáveis pelo genocídio, que une o extermínio dos povos originários às tentativas de um golpe que feche o regime político. A prisão do fascista Daniel Silveira e as revelações bombásticas do senador Marcos do Val à revista Veja.

É preciso mobilizar

Não se pode confiar apenas nas boas intenções dos atores políticos. É fundamental mobilizar a sociedade para fazer retroceder o legado de Bolsonaro e para garantir que exista justiça.

O processo de transição da ditadura para a democracia nos anos 80 teve a impunidade como base do pacto que sustentou a Nova República. Repetir essa postura, com outros atores, no tempo presente, seria um desastre. Não por acaso, a palavra de ordem que se escuta com mais intensidade nos atos é “Sem Anistia”. O julgamento e as punições devem vir acompanhadas com uma política de reparação a todos os que foram atingidos pelo genocida.

Precisamos organizar a energia social que repudia as práticas do genocida para forçar que Bolsonaro, seu clã, seu entorno (generais como Pazuello) sejam julgados e punidos.  Não existe outra saída: organizar as lutas e categorias, as demandas e um plano de lutas para conquistar maioria social.

 O calendário que está colocado deve ser fortalecido. Nos próximos dias, a juventude se reunirá na Bienal da UNE, setores da cultura organizam blocos de carnaval com teor democrático, e os movimentos preparam um março de lutas. Dia 08 de março as mulheres tomarão as ruas, dia 14 de março, cinco anos sem Marielle para exigir justiça. Além das demandas populares, por moradia, salário, entre outras.

PSOL em ação

O PSOL está orientado para fazer valer as demandas do povo, mantendo uma posição independente. Nesse sentido, a candidatura de Chico Alencar, separada do bloco que uniu do PT ao PL para reeleger Lira, cumpriu um papel importante.

Nosso lugar é organizar as demandas do povo, ser a linha de frente da luta contra a extrema-direita e acompanhar as ações dos movimentos, para que possam incidir sobre a relação de forças.

Num ano que já começou com intensos acontecimentos, nos inspiramos na atual rebelião peruana, que ensina que apenas pela luta social avançaremos para o cumprimento de demandas e de direitos básicos para nosso povo. 


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